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'Financial Times' chama porco a Portugal

por

MARIA JOÃO ESPADINHA  

Polémica. O jornal 'Financial Times' retomou o acrónimo para definir o défice de Portugal, Itália, Grécia e Espanha - PIGS, ou porcos, em português. Salvador da Cunha, presidente da APECOM, diz que é motivo para um "incidente diplomático"

Espanha, que também foi visada, já se queixou ao jornal britânico

"O Governo português tem de se pronunciar sobre isto." É desta forma que Salvador da Cunha, presidente da APECOM (Associação Portuguesa das Empresas de Conselho em Comunicação e Relações Públicas), reage ao artigo de opinião publicado pelo Financial Times (FT), que retoma o acrónimo para classificar os défices de Portugal, Itália, Grécia e Espanha - PIGS (o S é de Spain), em português, porcos. Já o havia feito aquando da adesão de Portugal ao Euro.

O jornal vai mais longe e apelida estes países de "pigs in muck" - porcos na pocilga, na tradução literal. "Há oito anos, os porcos chegaram realmente a voar. As suas economias dispararam depois da adesão à Zona Euro (...), mas agora os porcos estão a cair novamente por terra", lê-se no artigo publicado no dia 1 deste mês no jornal.

Contactado pelo DN, Salvador da Cunha, presidente da APECOM, considera "grave que um jornal de referência como o FT reúna um conjunto de países e os chame de porcos porque o acrónimo é "excitante". "A razão, neste caso, é o deficit. Mas poderia ser outra qualquer. O ponto é que o editor do FT nos quis chamar de porcos. Um país não pode aceitar este tipo de situação, porque vai muito para além da liberdade de imprensa. É motivo para provocar um incidente diplomático e pedir ao Governo inglês que publicamente se demarque desta situação e critique o FT. É motivo ainda para pedir uma choruda indemnização ao referido jornal, em tribunais ingleses", acusa o responsável, que garante que este assunto será discutido entre os membros da associação.

Em Espanha, a DIRCOM - associação que reúne directores de comunicação de empresas como o Banco Santander, El Corte Inglés ou Repsol, entre muitas outras - enviou uma carta ao FT, já publicada pelo diário, em que considera que o termo usado é "depreciativo e degradante". E acrescenta que não pode ser "considerado como um jogo de palavras pouco feliz, nem uma anedota de mau gosto". O artigo de opinião, escrito pelos responsáveis do jornal britânico, é classificado pela entidade espanhola como um atentado à dignidade dos cidadãos, políticos e empresas daqueles países.

Contactado pelo DN, João Palmeiro, presidente da Associação de Imprensa (API), não quis tomar, para já, uma posição. O DN tentou ainda, sem sucesso, obter uma reacção das principais associações empresariais nacionais - A.I.P, A.E.P e C.I.P.


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