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Rússia tenta atrair a China para um bloco anti-ocidental

por

LUÍS NAVES  

Crise na Geórgia. Alastra duelo naval

A China pronunciou-se ontem sobre a crise na Geórgia, afirmando estar "preocupada", apesar de tudo em tom menos duro do que o da maioria dos países ocidentais. A Rússia está sob forte pressão após ter reconhecido, anteontem, a independência da Ossétia do Sul e da Abcásia, duas regiões separatistas georgianas.

A reacção chinesa surgiu em comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros emitido horas antes de o Presidente russo, Dmitri Medvedev, se encontrar em Duchambé, capital do Tajiquistão, com o seu homólogo chinês, Hu Jintao. Os líderes reuniram-se à margem da cimeira da Organização de Cooperação de Xangai, entidade que junta países asiáticos, mas que tem no eixo Moscovo-Pequim a sua razão de ser.

Medvedev explicou a Hu a posição russa mas, no final, os chineses não comentaram. A China deseja manter boas relações com a Rússia, mas enfrenta os seus próprios movimentos separatistas.

Na crise georgiana fala-se em nova guerra fria, mas há analistas que explicam os desenvolvimentos diplomáticos falando na formação de dois blocos, com os russos a tentarem entender-se com a China e os ocidentais a alargarem a sua aliança.

A situação continua a ser perigosa na Geórgia e as organizações humanitárias internacionais têm acesso difícil à zona de segurança criada pela Rússia em torno da cidade georgiana de Gori, na fronteira com o território da Ossétia do Sul. Mas a tensão está a alastrar a outros palcos, nomeadamente para o mar Negro, onde parece crescer um inesperado duelo naval entre as potências.

A frota russa no ar Negro recebeu ordens para vigiar os movimentos dos navios da NATO na zona e o cruzador Moskva entrou no porto de Sokhumi, capital da Abcásia, numa "missão de controlo das águas territoriais e para impedir o tráfico de armas". Ao mesmo tempo, um navio da guarda costeira americana, Dallas (na foto), atracou no porto georgiano de Batumi, evitando Poti, ainda sob controlo russo. Perto, está um navio de guerra, o destroyer McFaul. Ambos os navios levam ajuda humanitária, mas os russos dizem que estão a entregar armas aos georgianos.

A versão russa do conflito foi explicada, em tom duro, pelo embaixador em Berlim, Vladimir Kotenev: "Entregar ajuda [humanitária] e água mineral com destroyers é um método interessante. Outros oito navios [da NATO] estão a chegar, equipados com uma centena de mísseis, armas estratégicas, que podem atingir Moscovo ou Sampetersburgo".

Do lado ocidental, são os europeus os mais indignados. Para Nicolas Sarkozy, na presidência rotativa da UE, a atitude russa implica "mudança unilateral de fronteiras". Segundo o chefe da diplomacia francesa, Bernard Kouchner, a Rússia "está fora da lei internacional".|


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