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PSD e CDS querem que Sócrates traduza Chávez

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FRANCISCO ALMEIDA LEITE

RODRIGO CABRITA-ARQUIVO DN  

Polémica. Hugo Chávez disse, em Caracas, que José Sócrates lhe confidenciou que a economia portuguesa "está estancada". As palavras do Presidente da Venezuela levam a que PSD e CDS peçam explicações a Sócrates, por este poder estar a dizer uma coisa em Portugal e outra no estrangeiro

"Há pouco [tempo], estive em Portugal e que me comentava o nosso amigo, o primeiro-ministro [José] Sócrates? Que a economia portuguesa está estancada! Estancada? E nós estamos crescendo 7,1 por cento, é um dos primeiros lugares [em crescimento] em todo o mundo". As palavras são de Hugo Chávez e foram proferidas esta terça-feira à noite em Caracas, numa sessão pública no Teatro Teresa Carreño, que foi também transmitida no canal estatal de televisão.

Palavras que contrariam o habitual optimismo de Sócrates, o que PSD e CDS não compreendem. António Montalvão Machado, vice-presidente do grupo parlamentar do PSD, diz ao DN que "depois de Hugo Chávez, amigo do primeiro-ministro de Portugal, ter dito o que disse, era importante que o primeiro-ministro esclarecesse se essa conversa coincide com a verdade ou não".

Para o deputado do PSD, as declarações do presidente venezuelano tão são tanto mais surpreendentes quanto se sabe que José Sócrates diz o contrário em Portugal: "O primeiro-ministro não pode dizer uma coisa no País e outra coisa, completamente diferente, a um presidente estrangeiro. A economia portuguesa não desenvolve, todos os meses milhares de novos desempregados inscrevem-se nos centros de emprego, o povo português está preocupado".

No mesmo sentido, Diogo Feyo, presidente da bancada parlamentar do CDS/PP, disse estranhar que Sócrates tenha "confidenciado" ao presidente venezuelano que a economia portuguesa está estagnada, quando o Governo tem sublinhado publicamente que "os resultados são satisfatórios".

"Nesta rentrée, tem sido assumido pelo Governo português que a economia nacional está a conseguir reagir, está a ter resultados satisfatórios. Este é o discurso perante os portugueses", realçou o líder parlamentar dos democratas-cristão. Por essa razão, Diogo Feyo diz que "não é aceitável que exista um discurso interno relativamente às questões económicas e que exista um outro para chefes de Estado estrangeiros".

"Esperemos que este episódio seja uma lição no sentido do que deve ser o relacionamento com chefes políticos autoritários que não fazem da discrição o seu molde de intervenção", salientou Diogo Feyo.

Há poucos dias, o Governo reagiu positivamente aos últimos dados do Instituto Nacional de Estatística, que revelavam um crescimento da economia de 0,4%. Declarações que levaram António Borges, vice-presidente do PSD, a dizer que o Governo estava a reagir num "tom eufórico". No regresso de férias, Sócrates comentou os números do INE, destacando que desde Março de 2005 já terão sido criados cerca de 133 mil novos empregos.

Fontes socialistas adiantaram ao DN que poderá ter havido alguma "má compreensão" na conversa entre Sócrates e Chávez devido ao significado da palavra em português e castelhano. Mas a expressão "estancar" deriva do latim stangare (depois stagnare) e é facilmente reconhecível nas duas línguas. Segundo Chávez, Sócrates terá dito que a economia portuguesa está "estancada", o mesmo que dizer estagnada ou esgotada. O DN contactou o gabinete do primeiro-ministro, que não quis prestar declarações. | Com A. S. L. e LUSA


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