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PATRÍCIA JESUS
LEONARDO NEGRÃO
Estudo. Afinal os jogos de vídeo podem ser importantes ferramentas de aprendizagem. Alguns contribuem para melhorar a coordenação motora, outros para treinar a capacidade de resolver problemas. As conclusões são de estudos apresentados esta semana por psicólogos americanos
Os jogos de vídeo podem ser importantes ferramentas de aprendizagem. Quem o garante são psicólogos que estudaram os seus benefícios em crianças mas também em cirurgiões. Não é a primeira vez que investigadores alertam para os pontos fortes destes jogos, mas vários estudos apresentados esta semana na Convenção Anual da Associação Americana de Psicólogos desmontam completamente a ideia de que os jogos de vídeo são uma perda de tempo e uma má influência para crianças e adolescentes.
Um desses estudos, coordenado pela psicóloga Fran C. Blumberg, acompanhou 122 crianças do 5.º, 6.º e 7.º ano enquanto estas experimentavam um jogo novo. O objectivo era perceber se o jogo ajuda a melhorar a capacidade de resolução de problemas. As investigadoras pediram às crianças para pensarem em voz alta enquanto jogavam e concluíram que os mais novos mostravam mais interesse em perceber os passos necessários para aprender a jogar, enquanto os mais velhos estavam mais concentrados no jogo. Segundo Blumberg, a experiência mostra que os mais pequenos precisam de se concentrar nos pormenores para resolver um problema, revelando diferenças no processo de aprendizagem. Um processo que ocorre mesmo quando os jogos não são designados como didácticos, explicou a psicóloga ao DN: "Mesmo quando os jogos não são educativos oferecem outra maneira de resolver problemas, testar hipóteses, o que faz parte do processo de aprendizagem".
Tânia Dinis, psicóloga clínica do Núcleo de Psicologia do Estoril (NUPE) explica que há outra vantagem: como os videojogos são formatos com uma série de características que apelam às crianças e jovens - cor, som, ritmo, movimento, objectivos a alcançar, prémios para o sucesso, e principalmente interactivos - "criam na criança a sensação de que está a fazer algo e essa é uma das formas privilegiadas de aprender. Aprendemos melhor fazendo." A psicóloga diz ainda que já há jogos claramente pedagógicos que aproveitam este potencial para cativar as crianças e jovens, procurando incentivá-los a aprender de forma lúdica conteúdos úteis e até esco- lares e a desenvolver competências úteis (coordenação de diversos elementos simultâneos, planeamento, concentração, memória, etc.).
Mas a aprendizagem não se limita às crianças - pode continuar ao longo da vida. Outro estudo revela que um dos jogos mais jogados online -World of Warcraft - pode melhorar o raciocínio. Os investigadores analisaram cerca de duas mil mensagens de jogadores para ver que tipo de interacção existia entre eles: estaria limitada à troca de provocações ou haveria discussões que poderiam ser classificadas como pensamento científi- co? O jogo passa-se num mundo de fantasia onde os jogadores conseguem progredir mais depressa se trabalharem em conjunto. A maioria dos participantes, cerca de 86%, partilhava conhecimento para resolver problemas e mais de metade usava processos de avaliação próprios do pensamento científico, dizem os investigadores.
Os jogos podem ajudar até a melhorar em actividades de precisão como a cirurgia. Outro estudo, de psicólogos da Universidade do Iowa, analisou cirurgiões que gostam de jogos de vídeo e cirurgiões que não jogam. Os investigadores concluíram que os que jogam foram 27% mais rápidos nos procedimentos da cirurgia e fizeram 37% menos erros.
"Os jogos não são bons nem maus, mas poderosas ferramentas educativas com muitos efeitos que poderíamos não esperar à partida", conclui Douglas Gentile, psicólogo da Universidade do Iowa.|
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