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Crianças de várias etnias afinal eram todas da mesma

 

Jogos. Revelada nova fraude sucedida na cerimónia de abertura

O esmero empregue pelos chineses para garantir o sucesso da cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos foi levado ao extremo de falsificar vários aspectos do acontecimento.

Depois dos fogos de artifício simulados em computador, da cantora em playback, ontem soube-se que as crianças presentes no desfile em representação das 56 etnias do país, eram afinal todas de uma só etnia: os maioritários han. Esta etnia representa 92% dos mais de 1300 milhões de habitantes da China.

O programa oficial do evento indicava que todas as crianças eram originárias de cada uma das etnias em causa. O texto explicava que "56 crianças em representação das 56 etnias chinesas desfilam agrupadas sob a bandeira nacional".

A organização dos Jogos admitiu ontem que as crianças que desfilaram com roupas daquelas diferentes etnias não pertencem aos respectivos grupos.

O vice-presidente da organização chinesa, Wang Wei, tentou reduzir a importância desta nova fraude, afirmando desconhecer as origens precisas destes representantes das minorias na China. "O que é absolutamente normal é serem actores chineses envergarem roupas dos diferentes grupos étnicos. Não há nada de especial no que sucedeu", disse Wang num encontro com a imprensa. "O objectivo principal era o de criar um sentimento de unidade, amizade e de entendimento entre as pessoas", insistiu aquele responsável da organização.

Jornais chineses traziam ontem a notícia que os menores protagonistas deste segmento da cerimónia são elementos do grupo artístico Galaxy Children, que é composto essencialmente por crianças da etnia han.

A decisão dos organizadores dos Jogos prende-se com a necessidade de evitar qualquer risco de incidente naquela cerimónia, um cenário que não seria de evitar de todo, já que a presença no mesmo local de pessoas de diferentes etnias, algumas delas com um historial de incidentes e animosidades entres i.

São frequentes as denúncias de grupos de direitos humanos ao tratamento das minorias na China, em especial aos tibetanos e aos uigures, população muçulmana da província do Xinjiang.

Outro detalhe da cerimónia ontem tornado público revelou que um grupo de 900 soldados chineses foi forçado a estar imóvel durante sete horas. Os militares permaneceram agachados sob um rolo de caracteres de grandes dimensões à espera do momento de tornar visíveis diferentes frases formadas por aqueles caracteres. |- Agências


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