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editorial

A difícil decisão tomada pela polícia

 

A acção da PSP na noite de quinta para sexta-feira no sequestro de Campolide deixa-nos a todos mais sossegados e seguros como cidadãos. A polícia portou-se com o profissionalismo que dela se espera numa situação que é simbólica do aumento da perigosidade do crime. E mesmo da sua globalização: quem viu aquele homem de óculos escuros, que sabíamos brasileiro, de pistola apontada ao pescoço do refém, não pode ter deixado de pensar noutras paragens em que estas cenas são bem mais usuais que no suave Portugal.

O sequestro do BES de Campolide tinha tudo para correr mal. Nunca os sequestradores chegaram tão longe, nunca a equipa de negociações teve tão pouca margem de manobra. Às onze da noite percebeu-se que se tinha atingido a situação-limite, no que de mais incerto tem essa definição num caso destes: até onde iriam os assaltantes?

E foi então que a polícia decidiu atirar. Todos percebemos como a decisão foi ponderada, mas todos também sabemos como foi difícil - tal como explicou o director nacional da PSP, na conferência de imprensa. Tentando preservar todas as vidas, as dos reféns eram prioritárias. Nestes momentos, transmitidos em directo pelas TV, é bom saber que temos uma polícia que toma decisões difíceis.

Duas palavras mais de elogio. Uma para o segundo sniper, o que teve a difícil decisão de disparar alguns segundos depois do primeiro, porque o alvo tinha entretanto saído da sua mira: nesses segundos, a situação podia ter-se transformado em catástrofe. Outra palavra para os dois reféns, que mostraram uma calma notável: merecem uma homenagem.

O dia que pretendia celebrar a paz e a concórdia entre todos os povos do mundo, com a inauguração dos Jogos Olímpicos de Pequim, festa máxima do desporto, foi ontem manchado pela sangrenta intervenção dos blindados da Geórgia na Ossétia do Sul, território reclamado há quase duas décadas por georgianos e russos. À progressão das tropas no terreno seguiu-se uma escalada verbal, entre os responsáveis máximos de Tbilissi e de Moscovo, que tornam explosiva a temperatura política do Verão no Cáucaso.

Este conflito, situado nas margens do mar Negro, vem recordar-nos que a geopolítica não é um assunto do passado. Pelo contrário, o homem contemporâneo é muito mais condicionado pela história e pelas delimitações geográficas do que admitem os arautos de um mundo sem fronteiras. E vem ajudar a perceber porque é que o Governo português, depois dos avisos do Presidente da República, ainda não reconheceu a autoproclamada independência do Kosovo. Aquilo de que a Europa menos precisa hoje é de novas "independências", insufladas exactamente pelo exemplo do Kosovo.


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