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por
João Marcelino
director
1. Dois homens entram nas instalações de um banco. Puxam de armas e colocam-se à margem da lei. Decidem ser criminosos, potencialmente de grau mais elevado - e para o comprovar encostam os canos das armas à cabeça de reféns. Perante um quadro destes, uma polícia profissional de um país democrático tem obrigatoriamente de actuar. Os elementos do GOE (Grupo de Operações Especiais) fizeram-no. Acredito que em todos os momentos pesaram a segurança dos dois cidadãos ameaçados pelos criminosos. Dispararam pela certa, porque numa situação daquelas não há filmes que nos valham. Não é possível brincar na defesa da segurança pública nem arriscar a vida de inocentes. Eles, os soldados, estavam lá para cumprir o contrato com a sociedade. Vão agora carregar esse fardo para o resto das respectivas vidas. Mas depois de quase nove horas de sequestro já não era possível tomar aqueles assaltantes por pessoas desequilibradas, apenas levianas e momentaneamente revoltadas. Não! Eram criminosos que estavam a ameaçar de forma real a vida de outros e a invadir propriedade privada. Não é indispensável, num caso assim, ter família e prezar um Estado democrático para fugir ao politicamente correcto de um discurso pseudopacifista. A polícia, pese o choradinho hipócrita e pusilânime, cumpriu a sua obrigação dolorosa. Presto daqui a minha homenagem àqueles soldados, e também aos seus superiores que tiveram de ordenar a difícil decisão. Solidarizo-me com a dor deles, que presumo solitária e silenciosa. Estas coisas na vida não se partilham. A demagogia, essa, sim.
2. Ainda Francisco Louçã e os nossos outros maoístas da altura davam vivas a Mao Tsé-Tung e já o mundo se tinha compenetrado da grande visão e imensa coragem de Deng Xiaoping, o homem que em 1978 decretou o fim da utopia da Revolução Cultural para desgosto das muitas células espalhadas pelo mundo. Percebe-se hoje que 30 anos não foram suficientes para instalar a democracia e evitar as críticas protocolares que Bush e Sarkozy (presidente em exercício da União Europeia) tiveram de fazer antes de entrarem em Pequim para assistirem à magnífica cerimónia de ontem. Provavelmente esta morosidade acaba por ser normal face aos problemas internos do vasto território que entretanto se abriu ao mundo como campeão das exportações e do investimento nos países do Terceiro Mundo, em especial África e América do Sul. O autocrático regime chinês vai continuar a evoluir devagar, e o mundo tem provavelmente de gerir a sua impaciência de forma racional. Ainda para mais, há uma certeza: quanto mais a China nos fizer a vontade (de abrir à plena democracia), mais o vamos pagar ao nível da economia. Brasil, Índia, ex- -URSS, China... Com tantos milhões de consumidores a aparecerem ao mesmo tempo, só quem não pensa não entende a crise que aí está instalada. Dos alimentos ao combustível, passando por todas as formas de energia e pelo valor do trabalho.
A maior delegação portuguesa de sempre a uns Jogos Olímpicos conta com 77 atletas. A Catalunha, entre os 286 espanhóis, contribui com 83! Ou seja: ainda há muito para o Estado fazer pelo desporto no nosso país. Os resultados deste sector, queiram ou não alguns pançudos devoradores de livros e uísque, assumem-se como um importante índice de desenvolvimento. E deixe-se em paz a indústria do futebol profissional, que essa não precisa do investimento do Estado - apenas não dispensa a necessária regulação.
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