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Portugueses vão pagar mais pelos empréstimos

por

PAULA CORDEIRO e PEDRO FERREIRA ESTEVES  

Constâncio alerta para os custos da crise financeira

Os portugueses vão pagar a crise no sector do crédito. A falta de liquidez nos mercados monetários e o consequente maior custo de financiamento para os bancos portugueses terão como consequência um aumento dos juros dos empréstimos mensalmente pagos à banca.

O aviso foi ontem deixado pelo governador do Banco de Portugal, em declarações aos jornalistas, no Fórum sobre Banca e Mercados de Capitais, do Diário Económico. "Até agora, os bancos não reflectiram isso concretamente, mas a continuação desta situação, se não houver uma normalização nos mercados internacionais, terá reflexos no preço a que os bancos oferecem os serviços aos seus clientes", afirmou Vítor Constâncio.

A questão da crise no mercado do crédito foi o denominador comum de todas as intervenções de banqueiros e outras individualidades presentes no encontro.

Na opinião de Fernando Ulrich, presidente executivo do Banco BPI, os bancos estão a absorver sozinhos o impacto da crise do subprime. "O custo está inteiramente a ser suportado pelos bancos", referiu, acrescentando que os clientes da banca comercial, em média, "estão melhores do que o que estavam (antes da crise), porque estão a receber mais pelos seus depósitos e a pagar menos juros".

Sobre esta crise, Ulrich disse temer que os seus efeitos estejam a ser subavaliados. "Eu temo que estejamos todos, incluindo os reguladores, a subestimar as consequências negativas que toda esta situação vai ter no sistema financeiro", alertou.

Também Carlos Santos Ferreira, presidente do Banco Comercial Português (BCP), falou num aumento do custo do crédito para os clientes bancários, a par de uma redução da rentabilidade dos fundos de investimento e do aumento dos juros dos depósitos.

Ricardo Salgado, presidente do Banco Espírito Santo (BES), alertou para o facto do primeiro trimestre de 2008 ser mais "difícil" para a banca, que serão obrigados a ter uma atitude mais restritiva na concessão de crédito.

O ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, considerou que o "desfecho da crise do subprime é incerto e a magnitude do seu impacto também é desconhecida".

Na sua intervenção, Vítor Constâncio referiu-se ainda ao actual nível de taxas de juro na Zona , considerando-o "adequado para controlar o risco inflacionista que se vive neste momento". Com agências


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