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JOÂO PEDRO HENRIQUES
Sondagens dão quebra ao PS mas PSD continua sem descolar
O Governo celebra amanhã três anos sobre o dia em que tomou posse (12 de Março de 2005). Antecipou um dia a habitual reuniões das quintas-feiras do Conselho de Ministros de propósito para assinalar a efeméride. Mantém em segredo as revelações finais dessa reunião.
A data será celebrada pelo Executivo e pelo PS numa altura em que as sondagens começam a indicar alguma quebra nas intenções de voto. Uma das últimas, realizada pela Universidade Católica, situava os socialistas quatro pontos abaixo da maioria absoluta, ou seja, nos 39 por cento.
Para contentamento do PS, revelava também o PSD de Luís Filipe Menezes nos níveis "mendistas" dos 32 por cento (em 2005 o partido, liderado por Santana Lopes, ficou-se nos 28 por cento).
Por outras palavras: o estado de graça de Sócrates dá sinais de fraquejar; pelo contrário, o estado de desgraça do PSD dá sinais de grande saúde. Está vivo e recomenda-se.
No PS, prepara-se o comício do próximo sábado, no Porto, oficialmente convocado, precisamente, para celebrar três anos de maioria - mas entendido também pelos militantes como uma forma de demonstrar solidariedade do Executivo num momento particularmente difícil. Está a ser preparado um filme, que será exibido no comício, propagandeando o que mudou na vida do "cidadão comum".
Já no Executivo, o esforço centra-se em passar a mensagem que, obtida a contenção orçamental, é agora hora de apostar no investimento para criar emprego.
Em Belém, Sócrates sabe ter alguém que já lhe elogiou o "ímpeto reformista". Mas que também não se deixou tornar acrítico (o ministro Correia de Campos começou a cair quando Cavaco Silva lhe censurou o facto de as reformas na saúde não estarem a ser explicadas).
Na semana passada, Sócrates lançou a primeira pedra na construção de uma nova fábrica da Portucel em Setúbal; e foram anunciados novos investimentos da AutoEuropa. Ontem, esteve no anúncio do novo plano de investimentos da Galp. Hoje estará no lançamento da primeira pedra da construção de uma nova plataforma logística em Vila Franca de Xira. Na quinta-feira irá ao lançamento da construção de um nova petroquímica em Sines, investimento na ordem dos 380 milhões de euros.
Ontem o primeiro-ministro disse que estes três primeiros anos foram "muito difíceis" e "duros", marcados por medidas "ásperas" e até por alguma "rudeza". O primeiro-ministro puxou a brasa para o desempenho económico (a contenção orçamental, o crescimento de 1,9 em 2007, por exemplo). "Ninguém diria que estes resultados seriam atingidos no final de 2007."
O que talvez também ninguém dissesse em 2005 é que três anos depois o Governo conseguiria a proeza de unir num protesto contra a governação dois terços de uma classe profissional (os professores) . "Gostaria que essa fase de Governo mais áspera estivesse ultrapassada", disse.
Na Educação não está. Mas o chefe do Governo jura pela segurança do lugar da ministra Maria de Lurdes Rodrigues. Tem em Belém um apoiante. Enquanto tiver.
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