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JOÃO PEDRO HENRIQUES
O novo regime de avaliação dos professores vai mesmo avante. E o lugar da ministra da Educação "nunca esteve em causa". O primeiro-ministro (PM), José Sócrates, reagiu ontem à Marcha da Indignação dos professores, que no sábado reuniu em Lisboa cem mil manifestantes, número superior a dois terços da classe.
"O que me convence não é a força dos números; é a força da razão", disse. "Não posso recuar naquilo em que acredito e em que estou absolutamente convencido", disse ainda, acrescentando: "Era só o que faltava, a acção governativa dependender de manifestações."
José Sócrates falava em Lisboa, no CCB, após um debate promovido por jovens quadros ligados ao PS, uma iniciativa intitulada "Geração de Ideias".
Aproveitou a oportunidade para garantir confiança política na ministra, cuja demissão imediata é agora exigida pelos sindicatos dos professores: "A saída da ministra não está, nem nunca esteve em causa. Tem feito um trabalho muito importante." E as reformas - disse ainda - "já produzem resultados".
O primeiro-ministro esforçou-se por passar uma imagem de empenhamento absoluto no novo regime de avaliação: "Há 20 anos que esperamos, que adiamos, que suspendemos, que nada se passa. O País não pode esperar mais." Tentou ainda explicar as vantagens da proposta do ponto de vista dos interesses dos professores: "Contribui para o seu prestígio social uma avaliação baseada no mérito. Não acredito em progressões automáticas." "A pior injustiça que se fez nestes 20 anos aos professores foi deixar tudo como estava. O erro foi não ter feito nada nos últimos 20 anos", afirmou o líder socialista.
Ao mesmo tempo, sinalizou flexibilidade nos detalhes da reforma: "Pode mudar. Não há métodos perfeitos. Pode evoluir."
Afirmou-se ainda compreensivo com a indignação dos professores: "Compreendo que estejam insatisfeitos. Foram muitas mudanças em pouco tempo", disse, exemplificando com as aulas de substituição, com a generalização do inglês no 1.º ciclo do ensino básico, com o alargamento dos horários de funcionamento das escolas.
Antes de falar aos jornalistas, perante os jovens quadros da "Gera-ção de Ideias", sublinhara que "o pior" no sector da Educação "era não fazer mudanças". "Quem muda - disse - pode cometer erros e cor- rigir. Nos últimos 15 anos, o erro foi nada mudar na Educação."
Explicou ainda o porquê da sua aposta na reforma do sector: "Não há nenhuma receita mágica para o crescimento económico. Mas uma coisa sabemos: nenhum país teve ucesso sem apostar no conhecimento."|
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