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Quando chegou aos estúdios da SIC, Maria de Lurdes Rodrigues ainda praticamente não tinha visto imagens da manifestação. Vinte minutos antes do Jornal da Noite, a que concedeu uma curta entrevista, o BMW série 5 acabado de estrear parava no parque de estacionamento principal da estação de televisão. Era o último acto público de um dia para não esquecer.
À saída, a ministra disse ao DN que compreendia a "insatisfação" dos professores. Mas os números deixam-na "indiferente". Quando confrontada com a grandeza da manifestação, que ultrapassou as perspectivas mais optimistas das organizações sindicais, a ministra da Educação referiu: "Cinquenta mil, cem mil.... se fossem vinte mil já eram de mais".
As afirmações de Maria de Lurdes Rodrigues ao DN confirmaram a ideia já transmitida durante a entrevista no Jornal da Noite da SIC, onde afirmou "não ser relevante" a participação de "100 mil professores na Marcha da Indignação", adiantando que o importante é continuar a trabalhar para encontrar as melhores soluções. "O País precisa de mudanças e isso implica sacrifícios para os professores", assume a responsável pela pasta da Educação, durante a entrevista à SIC. Mas recusa a acusação de falta de diálogo. "Nunca recusei uma audiência a quem ma tivesse solicitado". A hipótese de uma "aplicação gradual" do novo regime de avaliação de professores não merece o aplauso da ministra. "Não faz sentido", sustenta.
O dia de Maria de Lurdes Rodrigues começou na Curia, onde se deslocou para participar num acção de formação do Programa Nacional de Ensino do Português. Ao que o DN apurou, estariam lá uns 120 professores, muitos dos quais "preferiram a formação à manifestação, embora solidários com os colegas que estavam na rua em Lisboa". O gabinete da ministra da Educação revelou ainda que a ministra "almoçou pelo caminho", tendo regressado à capital "já no final do dia".
E segunda-feira como vai ser? "Continuar a trabalhar", diz ao DN a governante, aparentando grande calma. Não revelou se tinha, ou não, conversado com José Sócrates durante o dia de hoje e isso foi mesmo o mote para a única graça da noite, já que perguntou ao DN, em tom descontraído: "E você, falou?"
Já antes, em entrevista ao Expresso, Maria de Lurdes Rodrigues tinha garantido "continuar sempre disponível para conversar, ouvir e resolver problemas, incluindo com os sindicatos", embora reconheça que entre o ministé- -rio e as forças sindicais existam normalmente pontos de partida muito diferentes. Mais, a ministra da Educação admite mesmo que se lhe perguntarem "se tenho esperança de que os sindicatos possam definir uma política educativa em que prevaleçam os interesses dos alunos, não tenho".|
MÁRCIO CANDOSO e PEDRO VILELA MARQUES
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