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PEDRO VILELA MARQUES
Na véspera da Marcha da Indignação, que decorre hoje em Lisboa, o ministro da Administração Interna apresentou um conjunto de "normas técnicas" para regulamentar a actuação das forças de segurança perante manifestações públicas.
O documento defende que as forças policiais devem "evitar qualquer atitude ou práticas policiais que, independentemente da boa intencionalidade, sejam vistas como interferência ou condicionamento de exercício de tal direito [de manifestação]".
Estas "Normas Técnicas para a Actuação das Forças de Segurança no Âmbito do Exercício do Direito de Reunião e Manifestação" surgem um dia depois de os sindicatos terem acusado a PSP de visitar escolas do País para controlar os professores que participam na marcha de hoje.
Este timing dá a entender que o ministro está preocupado com a imagem social que as intervenções policiais junto dos sindicatos tem criado nos últimos tempos. O próprio Rui Pereira ordenou a abertura de um inquérito por parte da Inspecção-Geral da Administração Interna (IGAI), a propósito da deslocação de polícias a escolas na quinta-feira. Com esta iniciativa, o ministro reconhece que pode ter havido irregularidades na actuação da PSP.
Manuel Alegre defendeu ontem a intervenção do Presidente da República, se o Governo não der explicações no caso "da ida da polícia a escolas" nas vésperas da manifestação. O presidente da Comissão Política Concelhia do PSD de Vila do Conde juntou a sua voz à de Alegre.
Pedro Brás Marques acusa a polícia de Vila do Conde de controlar junto de várias escolas a participação de professores na marcha de hoje. Os responsáveis pelas escolas desvalorizaram, dizendo que foram tratadas apenas "questões logísticas".
Noutros quadrantes políticos, tanto o PS como o CDS/PP defenderam a intervenção da polícia.
Pelo lado dos socialistas, Vitalino Canas defendeu que a PSP está "simplesmente a cumprir as suas funções" no sentido de garantir a segurança, ao pedir informações sobre o número de professores que vão participar no protesto.
Neste ponto, o PS tem o apoio dos centristas, que pela voz do seu secretário-geral, João Almeida, considerou normal que a PSP obtenha informações sobre o número de professores que vão ao protesto, defendendo que a segurança das pessoas que vão participar tem de ser assegurada.
À esquerda do PS, as vozes foram naturalmente mais críticas. Jerónimo de Sousa, comentou que a Direcção Nacional da PSP "não age por conta própria", ficando subentendida uma crítica a uma intervenção do governo .
O PCP vai mesmo pedir a presença do ministro da Administração Interna no Parlamento. Já o líder do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, classificou de "preocupante" o facto de a PSP estar a tentar saber o número de professores que vão participar na Marcha da Indignação. A CGTP também já pediu uma reunião no ministério para discutir os acontecimentos de quinta- -feira. À margem da controvérsia, cerca de 70 mil professores ultimaram durante o dia de ontem os preparativos para uma verdadeira invasão de Lisboa. |
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