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ISALTINA PADRÃO
Alexandra Neno tinha 33 anos e foi baleada dentro do carro à porta de casa
"Força Xana. Força Xana." Estas terão sido as últimas palavras que Alexandra Neno, de 33 anos, terá ouvido da boca do marido, o pivô da Sport TV Fernando Santos, antes de, na sexta-feira à noite, ter sucumbido, vítima de uma bala junto ao coração, à porta da sua casa, na Urbanização Real Forte (Sacavém, Loures).
O autor do disparo fugiu, continuando a monte à hora de fecho desta edição. A investigação está agora a cargo da Polícia Judiciária (PJ), que ao DN disse não poder "adiantar as razões que levaram a este homicídio porque ainda estão a ser averiguadas". Carjacking é uma das hipóteses admitidas. O simples roubo não é considerado provável pela vizinhança, já que a carteira da vítima se encontrava ainda dentro do carro.
Segundo o Comando Metropolitano de Lisboa da PSP, Alexandra Neno estaria dentro de um Mercedes Benz SLK preto, quando, pelas 19.45, "um indivíduo passou por ela num carro e disparou um projéctil", aparentemente de 6,35 milímetros. Ao DN, fonte da PSP disse que "uma testemunha garante ter visto um indivíduo de estatura média, que vestia de escuro, a abandonar o local do crime e a afastar-se a pé em direcção ao Tejo [a urbanização fica próxima]".
Após ter andado às voltas para encontrar estacionamento, Alexandra conseguiu arranjar lugar mesmo em frente ao nº 5 (antigo lote 2) da Praça Manuel Joaquim Afonso, onde vivia com o marido. "Eu andava à procura de lugar e reparei que ela também. Estacionei, fui a casa e voltei a sair e vi que ela estava ao telemóvel, numa atitude perfeitamente normal. Quando regressei do Pingo Doce, já estava a ser socorrida pelos bombeiros", explicou ao DN um vizinho da vítima, de quem tinha boa impressão, apesar de só conhecê-la de vista.
O carro estava ainda ontem estacionado no mesmo lugar. Uma pasta, uma garrafa de água, lenços de papel e um isqueiro eram os objectos que se encontravam no Mercedes que tem no vidro da frente um dístico do gabinete do ministro do Ministério da Administração Interna. Contactada pelo DN, fonte oficial do MAI garantiu que Alexandra Neno não pertencia ao gabinete do ministro Rui Pereira, nem exercia lá funções no tempo do seu antecessor, António Costa (actual presidente da Câmara Municipal de Lisboa).
Diversos vizinhos, que conheciam Alexandra apenas de vista, disseram que, tanto quanto sabiam, a vítima trabalhava como relações públicas. E mais dizem não saber.
Francisco Salvador é sócio-gerente da Lovely House Imobiliária, que fica no prédio ao lado daquele onde Alexandra vivia. Estava já a fechar a loja quando ouviu um barulho que inicialmente não associou a um tiro. Depois ouviu uma mulher gritar por socorro. "Via a vítima muito frequentemente, sobretudo a sair da garagem de manhã por volta das 09.00 e a entrar geralmente entre as 18.30 e as 19.00". O facto de o Mercedes estar estacionado na rua não lhe causou estranheza, pois era habitual. "Quando cheguei ao pé do carro, a mulher estava no banco do condutor e tombada para o lugar do morto. Ainda se encontrava viva, mas sangrava e estava em agonia", disse Francisco, que em seguida chamou os bombeiros e o Instituto Nacional de Emergência Médica que tentaram reanimá-la, em vão.
Este crime chocou os moradores da Urbanização Real Forte, mas não os surpreendeu. Queixam-se de falta de policiamento e já se "habituaram" à frequência do vandalismo na zona que fica próxima de dois bairros problemáticos do concelho de Loures - a Quinta do Mocho e a Quinta da Fonte. "Há duas semanas, logo pela manhã, vi três carros com vidros partidos", disse Ricardo Cabral, que trabalha na urbanização. "A polícia faz-se ver pouco e o pouco que faz é só para fazer ver-se", denuncia. Também para Francisco Salvador "há pouco policiamento e é raro ver patrulhamento à noite".
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