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'Offshore' da Madeira usado em fraude e evasão fiscal em Itália

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LÍLIA BERNARDES, Funchal  

Em causa estão as actividades do empresário Giuseppe Spadaccini

A Itália está a investigar as firmas Bytols e Petillant, sediadas no offshore da Madeira, no âmbito do inquérito da Procuradoria da República de Pescara às actividades do grupo Aeroservices, de Giuseppe Spadaccini. Este empresário, presidente da Air Columbia, da Itali Airlines e da Sorem, empresa que gere a frota dos aviões Canadair da protecção civil italiana, é arguido num processo por alegada fuga ao fisco, evasão fiscal e lavagem de dinheiro, incluindo pagamento de luvas.

Enquanto decorre o inquérito judicial, Spadaccini - que chegou a ter contactos com o Governo português, através da Sorem, relativamente ao negócio dos meios aéreos de combate a incêndios - demitiu-se presidência da Sorem, sendo substituído no cargo por Ugo Calvosa, ex-vice-presidente da Itali Airlines, a companhia aérea do grupo Aeroservices.

No decorrer da colaboração entre Itália e Portugal foi apreendido pela Polícia Judiciária do Funchal (PJ) material documental e informático da Bytols, a firma sobre a qual recai a principal suspeita. As buscas no Funchal aconteceram após a operação policial em Itália realizada há cerca de dez dias, quando mais de cem agentes entraram em dezenas de sedes de empresas que se presume serem propriedade do empresário Giuseppe Spadaccini.

Segundo o jornal onlinePrimaDaNoi.it, o mais importante e prestigioso da região do Abruzzo, os resultados das investigações que levaram a apreensão de diversos dossiers, documentos fotocopiados, centenas de DVD e CD com dados e documentos, para além dos discos rígidos, são o primeiro passo para verificar se existem dados sobre uma actividade económica e financeira ilegal, com balanços falsos, fraude e evasão fiscal.

"Uma investigação começada há vários meses, que envolveu escutas telefónicas, buscas nos escritórios e na sede da Air Colombia, situada na área do aeroporto."

O objectivo das autoridades judiciais é recolher provas que permitam confirmar as ligações Roma/Milão/Madeira, onde as duas sociedades para a manutenção dos Canadair seriam uma espécie de "testas-de- -ferro" para Giuseppe Spadaccini, permitindo ao empresário dispor de fundos não incluídos nas suas declarações de impostos, e que poderiam ser usados para luvas, suborno, financiamentos ilícitos e branqueamento de capitais", disse Alessandro Biancardi, director do PrimaDa- Noi.it, em conversa telefónica com o DN em Roma.

Além de Giuseppe Spadaccini, na lista dos investigados está o seu técnico de contas, Giacomo Obletter, entre outros, e sobretudo o advogado Francesco Valentini que, segundo a acusação, teria sido o gestor de várias sociedades da indústria aeronáutica, mas que, na reali- dade, eram de propriedade de Spadacini. com MANUELA PAIXÃO, Roma


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