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Biblioteca de 4,5 milhões abre só durante a tarde

por

PAULO JULIÃO, Viana do Castelo

ARMÉNIO BELO-ARQUIVO DN  

Apesar da pompa e circunstância na inauguração da nova Biblioteca Municipal de Viana do Castelo, a 20 de Janeiro e na presença do primeiro- -ministro, o equipamento, desenhado por Siza Vieira e que custou 4,5 milhões de euros, funciona apenas à tarde, com a autarquia a dizer tratar--se de um "museu visitável".

Os utilizadores, sobretudo jovens estudantes, é que não apreciam as condições actuais de funcionamento. "Cheguei às 09.00 e estava fechada, o que comprometeu todo o estudo que queria fazer. Tive de voltar à tarde e depois constatei que ainda não têm máquina fotocopiadora, ou seja, vim cá para nada", criticou Cláudia, estudante de 20 anos. A biblioteca, voltada ao rio Lima, está encerrada da parte da manhã e funciona apenas entre as 14.00 e as 19.00, de segunda a sábado. Também Daniel, 17 anos, estudante, residente em Viana e utilizador habitual da biblioteca discorda do horário. "Tenho aulas à tarde e só durante a manhã é que dá para vir para aqui, mas com este horário é impossível", critica.

A autarquia diz compreender estes protestos, mas lembra que dos cem mil livros, que integravam o espólio nas anteriores instalações, ainda faltam transferir 57 mil. Também o material de áudio e vídeo está a ser montado e "há falta de pessoal", razões apontadas por Defensor Moura, presidente da autarquia, para justificar o funcionamento actual. "Contamos que passe a funcionar no período da manhã e à hora de almoço. Neste momento, o edifício está a funcionar mais como museu visitável do que propriamente como biblioteca", disse Defensor Moura. A autarquia pretende abrir concurso para a entrada de seis novos técnicos de forma a alargar o horário até às 22.00.

As salas "inundadas" de luz natural, projectadas por Siza Vieira para a nova Biblioteca Municipal de Viana do Castelo, abriram-se ao público a 20 de Janeiro, na presença de José Sócrates. Localizada no extremo nascente da nova Praça da Liberdade, em plena marginal, a nova biblioteca tem um volume elevado de 1850 metros quadrados, com um vazio central, no piso térreo. Esta característica, que serve de imagem de marca, permite a vista sobre o rio Lima a quem se encontra a norte da estrutura obtida pela elevação do primeiro andar, especialmente pensada por Siza Vieira. "Esta inauguração quer significar o elogio da arquitectura e do que pode fazer pelas cidades. Hoje temos bem consciência que o sucesso do País depende do sucesso económico das cidades", disse Sócrates.

Com uma vista privilegiada, a biblioteca usa a luz natural de grandes janelas panorâmicas e clarabóias. À noite, as salas de leitura serão iluminadas por candeeiros anexados às estantes de livros especialmente desenhadas para o efeito.|


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