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"Nunca pensei um dia ter de sair do Grémio"

por

LUÍSA BOTINAS  

Natário Pedro, VICE-PRESIDENTE DO GRÉMIO LISBONENSE

O que pensa das cenas de sexta--feira à noite à porta do Grémio Lisbonense?

Eu saí antes dos acontecimentos. Apenas soube dos incidentes pela televisão [ontem] à hora de almoço. Acho lamentável o que sucedeu.

Está triste com o despejo do Grémio Lisbonense?

Estou eu e todos os lisboetas. O Grémio é como se fosse a nossa segunda casa. Eu, que durante os 28 anos que trabalhei na Baixa nunca lá entrei, depois de lá ter ido pela primeira vez há oito ou nove anos, passei a frequentá-lo regularmente. Depois da reforma passei a ir lá quase todos os dias.

O Estado e as câmaras deviam apoiar mais este tipo de instituições?

Claro. As colectividades são locais mais dignos e sossegados para se estar a conversar, a conviver ou simplesmente a jogar às cartas. Ou será que é preferível ver os velhos nos bancos de jardim, ou fechados em casa? No Grémio, velhos e novos dão-se bem sem que haja qualquer espécie de atrito.

Quais são as principais dificuldades com que se debate o Grémio?

É muito difícil subsistir sem apoios e apenas com as quotas que os sócios pagam. Associados pagantes temos perto de 80 e a quota mensal é de 2,5 euros. Por isso há cerca de um ano, um conjunto de sócios mais novos fez a proposta de explorar o bar e dinamizar algumas actividades. Assim, além de servirem comida vegetariana, promovem exposições de pintura, fotografia e há também aulas de tango argentino e algumas sessões de dança.

Que papel importante tem desempenhado o Grémio ao longo dos tempos?

Temos um espólio valioso de muitos livros na nossa biblioteca (alguns deles de valor incalculável por serem antigos). Além dos livros, o Grémio Lisbonense é dono também de quadros antigos e de fotos que documentam a Praça do Rossio à época da fundação da colectividade. Agora permanecem fechados nas instalações. Temos muita coisa. Tanta que nunca me preocupei em contar, pois nunca pensei que um dia teria de sair daqui do Grémio

Se não houver hipótese de continuar no Rossio como vai ser o futuro do Grémio Lisbonense?

A Câmara Municipal de Lisboa comprometeu-se a arranjar instalações alternativas para que o funcionamento da colectividade esteja assegurado. Houve mesmo uma deliberação da Assembleia Municipal nesse sentido.

E os sócios, esses vão continuar fiéis ao Grémio tal como são hoje?

Os sócios do Grémio são sócios fiéis. Temos alguns que vivem fora de Lisboa e que sempre que cá vêm não deixam de passar pelo Grémio. Há mesmo um sócio de Évora que marca com antecedência uma hora no barbeiro.|


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