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por
Manuel Queiroz
jornalista
"Arcebispo causa alvoroço ao dizer que a 'Sharia' é inevitável na GB", diz o The Guardian, "Adoptem a 'Sharia' na Grã- -Bretanha", segundo o The Daily Telegraph, "Arcebispo defende lei islâmica na GB", no The Times. As capas dos principais jornais ingleses vão todas buscar as controversas palavras do arcebispo de Cantuária, numa conferência em Londres.
O Governo, os partidos principais e os editoriais dos jornais condenam o dr. Rowan Williams, o chefe da Igreja de Inglaterra, a qual nasceu da dissidência da Católica. O arcebispo defende que em cada indivíduo há várias identidades que se sobrepõem (nacional, religiosa, política, desportiva) e que por isso se deve acomodar algumas partes da Sharia. Não, obviamente, aquelas que defendem a lapidação das mulheres adúlteras, ou cortar as mãos aos ladrões.
Mas, diz Paul Vallely no The Independent, "as notícias têm pouco espaço para subtilezas à volta de argumentos delicados. Um líder religioso prudente - ou pelo menos o seu assessor de imprensa - devia saber isso" e compara o equívoco gerado ao que Bento XVI arranjou com o famoso discurso de Regensburg. Porque já há algumas excepções na lei para acomodar a Sharia em relação a impostos, por exemplo. Mas Rowan Williams, um professor universitário e poeta nascido em Gales, já defendeu por exemplo que os terroristas do 11 de Setembro "podiam ter altos valores morais" e há três meses comparou os muçulmanos em Inglaterra com o Bom Samaritano. E ainda há dias um outro bispo da mesma Igreja disse que havia zonas do país onde não podiam entrar não muçulmanos, o que era inadmissível.
"É fundamental para esta democracia que haja só uma lei para todos. (…) Seria mais útil perguntar como ajudar mais muçulmanos a integrarem-se com sucesso naquela que é uma cultura tolerante, do que forçar a mudança dessa cultura para dar uma noção de que partes da comunidade muçulmana se sintam mais confortáveis", escreve em editorial The Times.|
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