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O estranho caso dos três prémios Pulitzer (des)aparecidos nos EUA

por

CADI FERNANDES  

FBI recuperou os prémios, mantendo-se o segredo de como foram roubadas

De repente, o mistério. Três Prémios Pulitzer, com as correspondentes medalhas de ouro por Serviço Público, desapareceram.

Não que alguém desse directamente pela marosca, antes porque imagens dos prestigiados troféus surgiram, em Outubro, na Internet para venda em leilão, em emails enviados para caixas de correio electrónico. Pensava-se que estavam guardados a sete chaves no cofre da Newsweek, revista americana, publicada em Nova Iorque. Tinham sido atribuídos em 1954, 1970 e 1974 em homenagem aos trabalhos de jornalistas da casa sobre corrupção na venda de terrenos e tráfico - nacional e internacional - de heroína.

Dado o elevado valor dos prémios, sobretudo simbólico, o que lhes aumentaria, decerto, a base de licitação, os patrões da revista tinham decidido encomendar cópias das medalhas para as expor ao público nos escritórios centrais da revista, em Melville, mantendo-se os originais no cofre. Isto em 1998, muitos anos passados sobre a atribuição.

Nesse sentido, solicitaram a indispensável autorização da Universidade de Columbia, administradora dos Pulitzer, que a concedeu. E, adeus. Os larápios tinham necessariamente de ser profissionais, peritos na "arte" do arrombamento, pois da chave há muito se perdera o rasto. Levaram tudo: as medalhas de ouro e, pasme-se, até os moldes de silicone usados para as réplicas.

Chamem a Polícia! E foi o que se fez. Fruto de um trabalho árduo, que em causa estava um pedaço da história recente da América (regra geral, a vitória é atribuída a acontecimentos marcantes, como, por exemplo, a cobertura dos prejuízos causados pelo Katrina) conseguiu-se localizar uma primeira medalha, na Florida, e uma segunda, no Texas. E a terceira? Não havia meio de dar com ela. Por isso, como acontece nestas ocasiões (o que se confirma, por exemplo, nas séries policiais americanas que nos invadem o quotidiano), foi preciso fazer apelo à "Cavalaria". Ao FBI, Federal Bureau of Investigation. E o agente especial James McCarthy, da divisão de Nova Iorque, entrou em acção, tomando as rédeas ao mistério, acabando mesmo por encontrar, com a ajuda de profissionais de Dallas, a peça em falta.

Todas tinham sido leiloadas a 29 de Setembro de 2007, com os lotes números 82329, 82340 e 82341, na Heritage Auction Galleries, em Dallas. Ao que consta, "renderam" quatro mil; 4,5 mil e sete mil dólares.

Este desfecho só foi possível porque entre o FBI e a leiloeira foi assinado um acordo estritamente confidencial sobre os meandros das transacções financeiras, excepto no que diz respeito aos preços

Mas o caso ainda não está fechado. Falta saber como e quando roubaram os Pulitzer, quem os roubou? Quem conseguiu, sem o arrombar, sequer sem lhe fazer um risco, uma mossinha que fosse, abrir o cofre da Newsweek em Melville. No fundo, falta saber o mais importante.


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