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JOÃO PEDRO HENRIQUES E LÍCINIO LIMA
Desde 2001, ano do 11 de Setembro, já se abriram em Portugal 38 investigações por suspeitas de terrorismo. São os números oficiais contabilizados a partir dos sucessivos relatórios de segurança interna (o último disponível é relativo a 2006). E foram apurados numa altura em que o país está em alerta para a eventual presença de terroristas islâmicos em território nacional - ligados aos que foram detidos no sábado em Barcelona. Para já, Portugal parece ser apenas um ponto de passagem, não um alvo.
Os números do terrorismo em Portugal são tão absolutamente residuais que no relatório de segurança interna (RSI) de 2006 integraram a categoria do "segredo estatístico". No documento não há qualquer referência a crimes terroristas investigados, o que é explicado numa nota de rodapé: "Quando os valores são iguais ou inferiores a 3, estes não são incluídos no relatório, por força das regras sobre o segredo estatístico." No documento só consta um caso, de um suspeito terrorista apanhado numa operação em que o SEF (Serviço de Estrangeiros e Fronteiras) participou com organizações congéneres internacionais algures no mar entre o norte de África e a Europa, a operação Gate of Africa.
Consultando os RSI desde 2001, ano do ataque da Al-Qaeda às torres gémeas de Nova Iorque, verifica-se que o número de casos investigados oscilou entre seis (nesse ano) e 15 (2005). Em 2006, como já se disse, a questão foi remetida para o "segredo estatístico". Em 2002 foram investigados 4, o mesmo número no ano seguinte, nove em 2004 e 15 em 2005, sendo esta única cifra claramente dissonante face ao quadro desde o ano de 11 de Setembro. No caso de 2005, o relatório de segurança interna indica dos 15 casos como tendo sido investigados pela DCCB (Direcção Central de Combate ao Banditismo) da PJ.
À parte estes números, irrelevantes, os relatórios estão forrados de múltiplas e variadas referências à prioridade que Portugal dá ao combate no combate ao terrorismo, e também a União Europeia, tanto por via do 11 de Setembro como dos atentados de Madrid (11 de Março de 2004) e de Londres (16 de Julho de 2005). Não há números oficiais em relação à conclusão destes inquéritos.
Mas, não é tão irrelevante a acção da PSP e da GNR relativamente ao número de alertas de bomba. A média é elevadíssima: ambas as forças de segurança responderam, em 2006, a cerca de 1400 suspeitas, ou seja, quatro por dia. Quase todos falsas.
No meio de todos estes alarmes, a PSP detonou três engenhos reais. Um dos casos era o marido que ameaçava matar a esposa tendo-lhe colocado uma bomba lá em casa. A carga explosiva não daria para furar uma parede. Ao que o DN apurou, os outros dois casos foram semelhantes. No total, em 2006, esta força de segurança realizou 1212 buscas, sendo que cerca de metade teve a ver com acções de prevenção relacionadas com visitas diplomáticas a Portugal. A ameaça falsa de bomba ocorreu em 49 escolas.
A GNR efectuou 697 intervenções, tendo percorrido, para o efeito, 87 314 quilómetros. Não há notícia de que tenha detonado um engenho explosivo. Esta força respondeu a 50 alarmes falsos em escolas.|
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