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por
ILÍDIA PINTO
URSULA ZANGGER-ARQUIVO DN
Ao contrário do que se esperava, não é Joe Berardo mas a Dão Sul o novo "parceiro estratégico" da Casa do Douro. O acordo de princípio estabelecido com a Global Wines, a holding da Dão Sul, para a venda de 2,040 milhões de acções da Real Companhia Velha (RCV) que estavam nas mãos da instituição duriense teve ontem "luz verde" do conselho regional da Casa do Douro, com apenas um voto contra e duas abstenções.
A Dão Sul, que irá pagar 15,5 milhões de euros pelo negócio, é uma sociedade vitivinícola com interesses no Douro, Dão, Bairrada, Alentejo e Estremadura, além do Brasil, e investimentos vários em enoturismo. A empresa é controlada por Casimiro Gomes, Joaquim Almeida, Carlos Lucas e Joaquim Coimbra, este último accionista de referência do Banco Português de Negócios.
Contactado pelo DN, Joe Berardo, que com este acordo perde a corrida à Real Companhia, limitou-se a confirmar que estará no Douro quarta e quinta-feira da próxima semana, pressupõe-se que com a intenção de comprar vinhos. "Amigo não empata amigo. Se não posso estar [no negócio] só me resta desejar-lhes good luck. Deixa-os andar para a frente!", concluiu com o seu habitual fair play. Já quando questionado sobre o motivo que o leva a reunir com Jaime Silva, encontro agendado para amanhã, Berardo recusou comentar.
A Casa do Douro tem agora 90 dias para apresentar ao conselho regional "a formatação definitiva" do negócio, período que será igualmente utilizado para pedir a várias instituições bancárias a avaliação dos 40% que detém na Real Companhia, e pelos quais pagou, em 1989, cerca de 48 milhões de euros.
A fatia não vendida de 49% da participação que a instituição duriense detinha na Real Companhia Velha (40%) servirá de capital na nova empresa que a Casa do Douro e a Global Wines se propõem criar com o fim de comercializar vinhos.
Sobre as avaliações, o presidente da Casa do Douro garantiu ao DN que são meros formalismos. "Não caminhamos às cegas, pedimos pareceres a muita gente idónea", frisa. Questionado se o preço agora obtido para a venda da participação vem provar o que sempre foi dito, que a compra da Real Companhia Velha fora um péssimo negócio para o Douro por que fora demasiado cara, Manuel António começou não querer comentar, mas acabou a reconhecer: "Os métodos que utilizamos demonstram claramente isso". Para imediatamente acrescentar que este "é o negócio possível, mas que será bom para todas as partes envolvidas".
Aos conselheiros, Manuel António Santos explicou que outras negociações houve com valores bastante inferiores, adiantando que um dos possíveis parceiros se propunha mesmo pagar em sete anos, com os juros à conta da Casa do Douro, e "com um valor global, em termos nominais, inferior a este", frisou.
Um negócio que permitirá, garante Manuel António, a entrega em breve de 20 milhões de euros ao Estado para abate da dívida da instituição duriense. Em causa estão 49,5 milhões de euros de dívidas directas ao Estado, a que se somam mais 49 milhões de euros em dívida ao sindicato bancário liderado pela CGD e que estão avalizados pelo Estado.
Manuel António não dá grandes pormenores sobre a nova empresa, limitando-se a dizer que "a seu tempo se saberá". A sua missão será a de "contribuir para uma nova vida e um novo fôlego da Real Companhia", casa que será "sempre privilegiada na colocação dos nossos vinhos". À medida que as dívidas ao Estado forem liquidadas e os vinhos deixem de estar penhorados, serão encaminhados para a nova sociedade. Os armazéns da Casa do Douro são um potencial a aproveitar no âmbito do enoturismo.|
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