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Cada morte na estrada custa um milhão

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PAULA SANCHEZ e SUSANA LEITÃO  

Mais oito vítimas mortais mancham balanço positivo

Os mortos nas estradas portuguesas, em 2007, custaram ao Estado 858 milhões de euros (um milhão de euros por vítima mortal), ou seja, 0,5% do produto interno bruto. "Cada vítima mortal em sinistralidade custa cerca de 200 mil contos em moeda antiga ao Estado, segundo os dados que Portugal comunica a Bruxelas", explicou ao DN Paulo Marques, presidente da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR).

O valor é calculado tendo em conta os valores de referência usados pelos tribunais e seguradoras na arbitragem de acidentes de viação, os quais têm em conta o investimento na formação (educação, saúde, segurança social, etc.) e os ganhos de produtividade que o Estado deixou de ter com a morte prematura de um cidadão activo. A estas contas juntam-se os custos que o Estado tem com os feridos graves, que muitas vezes não recuperam completamente das lesões sofridas nos acidentes.

No entanto, ao número de mortos oficial - 858 -, ontem divulgado pela ANSR, há ainda que juntar a soma do factor de correcção de 14% atribuído pela União Europeia para contemplar o número de feridos graves, que morre nos hospitais nos 30 dias seguintes ao acidente de viação e que as contas portuguesas não contemplam. Assim, ao número oficial de vítimas mortais acrescem mais 433 - 14% dos 3090 feridos graves contabilizados em 2007. "A informação que temos em relação às vítimas que acabam por falecer nos hospitais não é fiável. Apenas temos um indicador, segundo um estudo que seguiu um milhão de internamentos e permitiu concluir por amostragem que 14% das vítimas de acidentes morreriam nos 30 dias seguintes", frisou o presidente da ANSR, admitindo também que estas são vítimas de acidentes não contabilizadas nos números oficiais.

O balanço provisório de 2007 sobre a sinistralidade nas estradas portuguesas foi ontem apresentado, em Lisboa. Os dados indicam que, pela primeira vez desde 2003, inverteu-se a tendência de descida no número de vítimas mortais em acidentes rodoviários. Ou seja, em 2007 registaram-se mais oito mortos do que no ano anterior. Ainda assim, o sentimento era de satisfação: "Conseguimos alcançar os objectivos que nos propusemos até 2009", frisou Paulo Marques, presidente da ANSR.

A cinco dias do encerramento da operação especial de fiscalização e prevenção rodoviária que começou a 25 de Novembro, e que juntou milhares de agentes e militares da PSP e GNR, a ANSR revelou que nos mais de 166 mil acidentes ficaram gravemente feridas 3090 pessoas e outras 42 631 ferimentos ligeiros. O decréscimo verificou-se em todos os itens, menos nas vítimas mortais, onde se contam pelo menos mais oito, já que o balanço é provisório.

De fora dos dados apresentados ficam os Açores e a Madeira, já que a contabilidade da sinistralidade nas ilhas é da responsabilidade dos governos autónomos e não da competência da ANSR. Assim, e segundo a PSP, responsável pela fiscalização insular, aos 858 mortos juntam--se pelo menos mais 30.

Considerado que os objectivos estão cumpridos - ou seja, redução em 50% dos mortos e feridos graves até 2010 -, a ANSR está a preparar um novo plano estratégico, com 21 objectivos que deverão ser atingidos até 2015. O plano está em fase de estudo por grupos de trabalho e deverá ser aprovado até ao final do ano. Entre os objectivos, está colocar Portugal no top10 dos melhores países europeus em termos de bons resultados de prevenção rodoviária. "É um objectivo mobilizador acima de tudo", frisa Paulo Marques.


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