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por HUGO COELHO
Primeiro-ministro, que está a recuperar da agressão de dia 13, pediu aos italianos para serem optimistas, numa entrevista à rádio.
O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, está decidido a acabar com a Mafia até 2013, ano do fim do seu mandato. Em entrevista à rádio Rai Uno, na véspera de Natal, Il Cavaliere afirmou: "A Mafia é um fenómeno patológico que nós queremos vencer definitivamente até ao final desta legislatura."
O primeiro ministro respondeu às perguntas do jornalista pelo telefone a partir da sua mansão nos arredores de Milão onde está a recuperar da agressão de há duas semanas, à saída de um comício.
"Gostava de lembrar que, apesar de todas as acusações lançadas contra o primeiro-ministro [ele próprio], nenhum outro Governo da história da República [italiana] agiu com tanta determinação e eficácia na luta contra as organizações criminosas", acrescentou.
Nos últimos meses têm surgido rumores na imprensa italiana sobre alegadas ligações de Berlusconi a redes mafiosas. Além de líder da coligação de direita, o conservador é um milionário dono de um império da comunicação social e do clube de futebol AC Milan.
A mais grave acusação foi feita por um mafioso arrependido. Gaspare Spatuzza denunciou que Silvio Berlusconi e o seu braço direito Marcello Dell'Utri foram interlocutores políticos da Mafia durante a década de 1990.
A história foi firmemente desmentida por Berlusconi. Um dos antigos capi (chefes) da Cosa Nostra negou apenas parte dos factos relatados.
"Nós prendemos em média oito criminosos por dia", argumentou o primeiro-ministro conservador.
Berlusconi aproveitou a oportunidade para defender o trabalho do seu Governo: "Tivemos 19 meses de trabalho extraordinário. O Executivo tem uma equipa excepcional."
Ao mesmo tempo, anunciou que Itália vai começar a sair da crise em 2010. "Todos os indicadores económicos vão nessa direcção", disse, antes de apelar aos italianos para serem optimistas porque sem ele não "se chega a lado nenhum".
A entrevista à Rai Uno foi uma das poucas intervenções públicas do primeiro-ministro desde a agressão. No dia 13 deste mês, Massimo Tartaglia, um homem com distúrbios mentais, iludiu a segurança para chegar perto do primeiro-ministro e alançar-lhe uma réplica da Catedral de Milão à cara.
Na quarta-feira, Il Cavaliere perdoou ao agressor que lhe partiu o nariz e dois dentes e o obrigou a passar quatro dias no hospital. Berlusconi continua com a cara coberta de pensos e os médicos aconselharam-no a ficar em casa até ao final do ano.
Segunda-feira, Berlusconi enviou uma mensagem de agradecimento a milhares de apoiantes que se reuniram num comício. No mesmo dia, Il Giornale, diário cujo proprietário é o seu irmão Paolo, publicava uma entrevista em que Berlusconi sugeria aos italianos que oferecessem no Natal cartões do Povo da Liberdade, seu partido.
Ainda assim, a convalescença obrigou-o a cancelar a tradicional conferência de imprensa de fim de ano e a consoada com os sobreviventes do terramoto de L'Aquila.
O Governo de Berlusconi tem sido abalado por uma série de escândalos sexuais envolvendo o primeiro-ministro. Mas uma sondagem publicada no Corriere della Sera mostra que após a agressão a popularidade de Berlusconi subiu de 48.6% para 55.9%.
Berlusconi passou a noite de Natal com os seus cinco filhos: Marina e Piersilvio, do primeiro casamento, e Barbara, Eleonora e Luigi, do casamento com Verónica Lario, que pediu o divórcio, em Maio.
Tags: Globo, Europa
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há 76 dias, 6 horas e 27 minutos
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