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Reino Unido

Extrema-direita discute abertura a não brancos

por HELENA TECEDEIRO  

Extrema-direita discute abertura a não brancos

Partido Nacionalista Britânico, reunido em conferência, vai alterar estatuto que agora só aceita "indígenas caucasianos" como militantes.

Nick Griffin é um homem a abater no Reino Unido. O líder do Partido Nacionalista Britânico (BNP) foi apupado por uma multidão que invadiu as instalações da BBC onde ia participar no programa Question Time, foi classificado de "racista" pelo antigo líder da igreja anglicana Lord Carey e viu um tribunal ilibar um asiático que lhe chamou "sacana branco". Até a sogra disse ao Sunday Mirror que o genro "nunca fez nada decente na vida". É neste contexto hostil que Griffin preside até hoje à conferência do BNP, onde pretende abrir o partido a militantes "não brancos".

À chegada a Wigan, perto de Manchester, onde o partido se reuniu numa tentativa para evitar os protestos, Griffin garantiu que a abertura do BNP às minorias étnicas é uma mudança "bem-vinda" e que a formação está "a evoluir",. Mas a verdade é que a medida só deverá ser aprovada pelos deputados para evitar a ilegalização do partido. De facto, a Comissão de Direitos Humanos ameaçou ordenar a ilegalização do BNP se este continuasse a manter a política de só aceitar "indígenas caucasianos".

Na abertura da conferência do BNP, Griffin explicou: "Vamos garantir que o partido existe em primeiro lugar para representar os interesses dos indígenas destas ilhas que têm sido discriminados pelas outras formações durante décadas".

Apesar dos cuidados do BNP, três a quatro dezenas de manifestantes tinham-se juntado ontem à porta do centro de fitness onde decorre a conferência. O discurso de Griffin está previsto para hoje.

Segundo os analistas, se os militantes do BNP aceitarem mesmo uma mudança da constituição do partido, conseguirão assim evitar as acusações de racismo e xenofobia de que tem sido alvo. "Ter membros das minorias integradas neste país envolvidos no BNP vai ajudar", garantiu Griffin.

Desde as eleições europeias de Junho, nas quais o BNP conseguiu eleger dois eurodeputados, a formação tem atraído mais militantes. Os líderes do BNP, que estará a passar por problemas financeiros, estiveram esta semana em Bruxelas, onde participaram numa reunião destinada a formar uma aliança europeia de movimentos nacionalistas. Griffin, juntou-se ao francês Jean-Marie Le Pen, líder da Frente Nacional, para exigir uma fatia dos fundos públicos destinados a grupos paneuropeus.

Tags: GloboEuropa


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