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Piratas somalis ameaçam executar marinheiros chineses

por ABEL COELHO DE MORAIS  

Piratas somalis ameaçam executar marinheiros chineses

Área de assaltos está cada vez mais aalargar-se no oceano Índico. Final da monçãodeterminou recrudescimento dos assaltos

A ousadia dos piratas somalis não conhece limites, e a sua área de acção continua a alargar-se no oceano Índico. Prova disso é o assalto e captura de um navio de carga chinês que seguia segunda-feira a mais de mil quilómetros da costa leste da Somália. O De Xin Hai e a sua tripulação de 25 marinheiros e oficiais, todos chineses, navegava ontem em direcção às costas daquele país africano, estando a ser observado por um avião da força da União Europeia na área (ver gráfico).

Os piratas já ameaçaram executar toda a tripulação do De xin Hai, caso a marinha chinesa, que tem dois destroyers e um navio de apoio na região, desencadeie uma operação de resgate. Em Pequim, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Ma Zhaoxu, declarou ontem que seriam "feitos todos os esforços para salvar o navio e a tripulação".

Esta é a primeira vez que um navio chinês é capturado pelos piratas. O De Xin Hai, ao contrário das normas em vigor para os navios em trânsito ao largo da Somália e no golfo de Adém, não assinalou ao Centro de Segurança Marítima, que colabora com as forças internacionais, a sua passagem pela área.

O cargueiro, de 76 mil toneladas, transportava carvão entre a África do Sul e a Índia quando foi capturado apenas três dias depois de um outro assalto bem sucedido contra o porta-contentores Kota Wajar, de 24,5 mil toneladas, que navegava a cerca de 550 quilómetros ao largo da costa somali. Segundo o Centro de Segurança Marítima, o assalto ao navio chinês é a primeira acção dos piratas a leste do 60.º grau de longitude, entre as Seicheles e as Maldivas.

Desde o final da monção, em meados de Setembro, que se verificou o recrudescimento das acções dos piratas. Um porta-voz da força da NATO indicou ontem que se verificaram, pelo menos, cinco tentativas de assalto a embarcações ao largo da Somália nas últimas duas semanas.

A intensificação dos ataques dos piratas no Oceano Índico prende-se não só com os meios ao seu dispor, mas também com o facto do essencial das missões de patrulha da missão da UE e da NATO estarem concentradas no golfo de Adém. Foi nesta área, uma das mais movimentadas do mundo em termos de trânsito marítimo, que os piratas iniciaram os seus ataques em 2006.

Tags: GloboÁfrica


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