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Guerra faz oito anos

Obama procura saídas para o 'pântano' do Afeganistão

por ABEL COELHO DE MORAIS  

Obama procura saídas para o 'pântano' do Afeganistão

Estratégia. Assinalando o 8.º aniversário do início da operação militar dos EUA, um porta-voz talibã dizia ontem que os estrangeiros foram sempre vencidos pelos afegãos. Um cenário que o Presidente americano quer evitar, preparando-se para anunciar uma nova orientação no conflito

Barack Obama terá de fazer opções muito claras a curto prazo sobre o envolvimento americano no Afeganistão num momento em que se assinala o oitavo aniversário das operações militares, iniciadas a 7 de Outubro de 2001, que derrubaram o regime talibã.

Momento que coincide com uma conjuntura volátil naquele país a viver uma crise política, devido às fraudes nas presidenciais de 20 de Agosto (ver caixa), em paralelo com o recrudescimento da insurreição talibã.

É precisamente a situação militar no Afeganistão que o Presidente dos Estados Unidos irá analisar hoje com os seus conselheiros de segurança; esta deverá ser uma das derradeiras reuniões antes de Obama se pronunciar sobre o pedido de reforço feito pelo comandante das forças americanas no teatro afegão, general Stanley McChrystal, que solicitou mais 40 mil efectivos. Um pedido reforçado ontem em termos formais, revelou uma fonte do Pentágono. Estão hoje estacionados cerca de 68 mil militares dos EUA no Afeganistão num total de quase cem mil.

A situação continua instável, com os islamitas a desencadearem operações em várias províncias com ataques a alvos civis e militares, e atentados bombistas. Ontem, um militar espanhol morreu e outros cinco ficaram feridos perto da cidade de Herat (Norte), quando o veículo em que seguiam passou sobre um engenho explosivo. Trata-se da sétima baixa em situação de combate desde 2002 do contingente espanhol. Desde Outubro de 2001 até ontem, segundo a AFP, morreram 1445 soldados estrangeiros, dos quais cerca de 360 vítimas de atentados com aquele tipo de bombas. O maior número de baixas é do contingente dos EUA, com 869 mortos.

No âmbito dos contactos que antecipam a sua decisão, Obama reuniu-se ontem com os líderes democratas e republicanos das duas Câmaras do Congresso. Um porta-voz da Casa Branca caracterizou a posição do Presidente como intermédia: quer reforçar as forças no terreno, mas recusa uma opção "do tudo ou nada".

O encontro, que durou quase hora e meia, revelou algumas discrepâncias entre Obama e o seu adversário nas presidenciais, o republicano John McCain, quando este notou que a decisão sobre o rumo a seguir "não deve demorar". O Presidente retorquiu, segundo o The New York Times, que "ninguém está mais interessado em decisões rápidas do que eu".

A maioria dos responsáveis republicanos e democratas, tendo como principal excepção a líder democrata da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, mostrou-se disponível para apoiar a decisão do Presidente. Talvez por terem presente que a opinião pública americana considera valer a pena prosseguir a guerra. Uma sondagem da Universidade Quinnipiac, do Connecticut, revelava ontem que 65% dos inquiridos aceita "que os soldados americanos combatam e possam morrer para eliminar a ameaça terrorista a partir do Afeganistão". Outra sondagem, da Associated Press-GfK, revelava contudo um sentimento algo distinto. Nesta, apenas 40% apoia a continuação da guerra, contra 44% em Julho, sendo que 69% dos que apoia a prossecução do conflito se definem como republicanos enquanto a maioria dos que se definem como democratas estão contra.

Para o secretário da Defesa Robert Gates não há dúvida possível. "O [Afeganistão] e a sua região de fronteira com o Paquistão é o moderno epicentro da jihad"; se os islamitas "tiverem oportunidade de derrotarem uma segunda superpotência [referência à retirada soviética, em 1989], isto dar-lhes-ia uma influência maior do que nunca", referiu Gates.

Um porta-voz talibã insistia ontem que a única solução para o conflito é a "retirada de todas as forças estrangeiras". Recordando outra derrota de uma potência europeia, a Grã-Bretanha do século XIX, aquele advertiu que "estamos prontos para uma longa guerra" e "temos muito mais paciência" do que as potências ocidentais.

Tags: GloboÁsia


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carlos carneiro

09 Out 2009, às 00:19 - Portugal - Lisboa

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renatopereira50

09 Out 2009, às 00:05 - Portugal - Aveiro

Os Russos não conseguiram vencer os Afegãos apesar de terem a ajuda de quase todos os outros países do mundo,como é que os Americanos e companhia os vão conseguir vencer sem sequer terem a ajuda dos Russos?Os Americanos já deviam ter aprendido a lição que tiraram do Vietname.


carlos carneiro

08 Out 2009, às 22:15 - Portugal - Lisboa

ESTE PAÍS FOI CHAMADO O VIETNAM DA RÚSSIA E COMO NESTE MUNDO NÃO SE APRENDE COM O PASSADO, É O 2º VIETNAM. O QUE LAMENTO PROFUNDAMENTE, É A PERDA DE VIDAS, DE JOVENS USADOS PARA FINS POLÍTICOS QUE DECIDEM SUAS VIDAS EM GABINETES COMO SE FOSSEM PEÇAS DE XADREZ. JÁ PASSEI POR ISSO, COMO GRANDE PARTE DA JUVENTUDE DOS ANOS 60 E 70. O CAMINHO DA PAZ É UMA VIA DE PAZ E NÃO DE GUERRA. EU APRENDI


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