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por PATRÍCIA VIEGAS
Acordo Intergovernamental Nabucco vai ser rubricado por líderes dos países de trânsito de um gasoduto sobre o qual há ainda dúvidas. As contrapartidas obtidas pelos turcos são uma dela.
O acordo sobre o Nabucco, projecto europeu que visa reduzir a dependência do gás russo, é hoje assinado, num hotel de Ancara, pelos líderes dos cinco países de trânsito do gasoduto: Turquia, Roménia, Bulgária, Hungria e Áustria. Na assistência estarão, entre outros, o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, mais o representante do secretário de Estado da Energia norte-americano, Richard Morningstar.
O gasoduto de mais de três mil quilómetros de comprimento, que visa trazer gás natural da Ásia central para a União Europeia, foi lançado há sete anos e deverá estar em funcionamento em 2014. 31 mil milhões de metros cúbicos de gás é a sua capacidade anual estimada e quase oito milhões de euros é o seu custo total. O projecto é gerido por um consórcio composto por seis empresas: a austríaca OMV, a húngara MOL, a romena Transgaz, a búlgara Bulgargaz, a turca BOTAS e a alemã RWE.
Apesar de trazer esperança, principalmente aos países que estão fartos de serem afectados cada vez que os russos decidem cortar o gás aos ucranianos, há várias dúvidas à sua volta. A primeira delas tem que ver com as dificuldades de financiamento perante a actual grave crise financeira e económica internacional.
A segunda está relacionada com o facto de ainda não estar muito claro de onde é que virá exactamente o gás natural. Os europeus aguardam acordos com países-chave como o Turcomenistão, Cazaquistão e Usbequistão. "Sem eles o Azerbaijão será o maior fornecedor, mas não tem gás suficiente para encher o gasoduto", disse Necdet Pamir, especialista turco em assuntos europeus que foi citado pela AFP.
O chefe de Estado turcomeno, Gurbanguli Berdimukhamedov, garantiu, entretanto, que o seu país tem capacidade para fornecer gás ao Nabucco. "O Turcomenistão é fiel aos princípios da diversificação da exportação de combustíveis para os mercados mundiais e tenciona usar as suas possibilidades para participar em grande projectos internacionais, como por exemplo o Nabucco", declarou o governante, ontem citado pela Lusa.
Esta declaração surge depois de desavenças entre russos e turcomenos, com os primeiros a acusar os últimos de terem provocado uma explosão no gasoduto Ásia Central-Ásia. Está igualmente previsto que através do projecto Nabucco seja possível exportar gás para território europeu a partir do Iraque, do Egipto, do Qatar ou, até mesmo, a partir do actualmente instável Irão.
A outra dúvida que persiste em relação a este gasoduto é o tipo de contrapartidas que vão ser atribuídas à Turquia. Dois mil dos 3300 quilómetros que o Nabucco tem de extensão passam por território turco. Assim, à luz do acordo que vai ser assinado, Ancara espera obter entre 50% a 60% das receitas de trânsito, ou seja, entre 400 a 450 milhões de euros anuais em impostos, avançaram a agência noticiosa Anatolia e o jornal Turkish Daily News.
As negociações entre os turcos e a Comissão Europeia azedaram quando os primeiros exigiram ficar com pelo menos 15% do gás a preços de desconto, quer fosse para consumo interno quer fosse para voltar a exportá-lo. A Anatolia indicou que Ancara tinha agora desistido desta exigência, mas ontem à tarde o ministro da Energia turco, Taner Yildiz, desmentiu tal informação à televisão NTV. Em contrapartida a esses 15% e à garantia de que o gasoduto será bidireccional o Governo turco ter-se-ia comprometido a não interromper o fluxo de gás do Nabucco em caso de falha contratual por parte de um país terceiro. Isto para evitar guerras do gás ao estilo das que russos e ucranianos já habituaram a UE.
Tags: Globo, Europa
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