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por HELENA TECEDEIRO
Maior parte das famílias da cidade de Coral fora retirada há duas semanas, quando a barragem de Algodões transbordou. Mesmo assim, os 50 mil milhões de litros de água libertados fizeram pelo menos cinco mortos e deixaram três mil pessoas desalojadas.
Bastaram poucos minutos para os 50 mil milhões de litros de água da barragem de Algodões, a 250 quilómetros de Teresina, no estado brasileiro do Piauí, invadirem o vale vizinho após o paredão ter cedido. Pelo caminho levaram 500 casas e fizeram cinco mortos, deixando ainda perto de três mil pessoas desalojadas. Um verdadeiro "tsunami com destruição total", como o descreveu o governador do estado, Wellington Dias.
"Só tinha visto coisa assim uma vez num filme", confessou à televisão Globo um morador do Coral, que perdeu cinco cabras e duas vacas quando as águas destruíram em parte aquela cidade. As equipas de socorro, que recomeçaram as buscas ontem de madrugada, conseguiram resgatar mais sete pessoas com vida, das 11 que estavam desaparecidas. Para fugir à força da água, que levou casa, árvores, gado, postes eléctricos e inundou grande parte de Coral, os sobreviventes tiveram de se refugiar nas colinas próximas. Alguns conseguiram subir às árvores que resistiram à força da corrente.
Depois de semanas de chuvas intensas no Nordeste brasileiro, que fizeram subir o caudal dos rios, a barragem atingiu um nível tal, que o paredão cedeu. José Maria Siqueira, um agricultor de Coral que se encontrava a um quilómetro da barragem no momento do rebentamento, explicou ao jornal Globo online: "Ouvimos um estrondo muito forte. Quando a barragem rompeu, ela levantou um torno de água de 50 metros e desceu levando tudo." Apesar de a barragem dos Algodões já ter transbordado há duas semanas, os engenheiros decidiram esperar até o nível da água baixar para reparar a brecha que se abrira no paredão.
Esperaram demais. Com vários helicópteros no local, as autoridades do Piauí receavam ontem que o balanço das vítimas mortais se viesse a agravar. As águas continuavam a cortar uma das principais estradas da região, mantendo várias populações isoladas. A ajuda estava a encontrar dificuldades em atingir as zonas onde se encontra a maior parte dos desalojados. No terreno, estão mais de cem bombeiros e polícias. Os cinco helicópteros requisitados para esta operação percorriam ontem o rio Pirangi para retirar as pessoas levadas pela corrente.
Os corpos da cinco vítimas mortais foram encontrados junto à barragem. Entre os de duas meninas, de dez e 12 anos, e os de dois septuagenários.
As autoridades do Piauí conseguiram evitar uma tragédia maior ao retirarem as 2500 famílias que viviam mesmo junto à barragem, depois de esta ter transbordado.
O Governo do estado prometeu agora disponibilizar toda a ajuda necessária às populações afectadas. As três mil pessoas que ficaram sem casa vão agora ter de começar do zero nesta região que em tempos normais é uma das mais áridas e pobres do Brasil.
A retirada das famílias da região está a causar polémica, uma vez que os agricultores garantiram ao Globo terem obtido autorização para regressar às suas casa entretanto. "O engenheiro autorizou que era para o povo voltar. O povo estava na cidade e voltou uma parte grande de gente", explicou o agricultor Carlos Alberto Machado.
Para além dos três mil desalojados devido ao ruptura da barragem, o estado do Piauí tem ainda cerca de 90 mil pessoas fora das suas casa devido às chuvas fortes que atingiram o Norte e Nordeste do Brasil e já mataram pelo menos 49 pessoas.
Tags: Globo, CPLP
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