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por DN
Armando Vara, ex-ministro do governo de António Guterres, é um dos 13 arguidos no processo 'Face Oculta', que investiga suspeitas de corrupção, tráfico de influências e branqueamento de capitais. José Penedos, presidente da REN (Rede Energética Nacional) será também constituído arguido, mas, para já, rejeita demitir-se da empresa de capital maioritariamente público.
Ontem, a Polícia Judiciária (PJ) realizou 30 buscas a casas e locais de trabalho em Aveiro, Ovar, Santa Maria da Feira, Lisboa, Oeiras, Sines, Alcochete, Faro, Ponte de Sôr e Viseu. A investigação em curso tem como objecto a actividade de um grupo empresarial, da zona de Aveiro, que, através de um esquema organizado, terá sido beneficiado na adjudicação de concursos e consultas públicas, na área de recolha e gestão de resíduos industriais, explicou a PJ num comunicado.
Foi detido e constituído arguido o empresário Manuel Godinho, que será amanhã interrogado no Departamento de Investigação e Acção Penal de Aveiro. Godinho é o proprietário de duas empresas, a O2 e a SCI, que terão beneficiado de um esquema ilegal de acesso a concursos e adjudicações de empresas participadas pelo Estado. O empresário é suspeito de ter pago comissões ilegais para assegurar a adjudicação de contratos ligados à recolha de lixo e tratamento de sucata.
Também é arguido Paulo Penedos, filho de José Penedos e advogado das empresas de Godinho, suspeito de ter intermediado esses negócios ilegais e que terá recebido 270 mil euros em comissões. O seu papel era usar o seu poder de influência junto do pai. No processo, a que a RTP teve acesso, consta que Godinho terá oferecido avultadas contrapartidas financeiras a Paulo Penedos para que que este garantisse a renovação do contrato de gestão entre a REN e as empresas de Godinho, usando o poder de decisão de José Penedos como presidente do conselho de administração da empresa pública.
Por haver indícios de que o presidente da REN está envolvido neste esquema, será constituído arguido, segundo disse ao jornal 'I' uma fonte ligada ao processo. O ex-secretário de Estado de Guterres (primeiro Indústria e Energia e depois da Defesa) já garantiu à RTP que não se demite. José Penedos insiste que as suas decisões como presidente da REN não são influenciáveis, que não tem qualquer mácula no seu comportamento e que seu filho não tem qualquer ligação com a empresa pública.
A inclusão de de Armando Vara na lista de 13 arguidos foi confirmada à Lusa por fonte policial. O actual vice-presidente do Millennium BCP terá servido de intermediário entre as empresas de Godinho e vários quadros superiores. O documento ao qual a RTP teve acesso descreve a existência de vários almoços e jantares entre Vara e Godinho para negociar diligências junto de altos quadros; num desse almoços, Vara terá pedido 10 mil euros em contrapartidas por contactos que terá feito junto de empresas públicas.
O ex-ministro adjunto do primeiro-ministro Guterres e ex-ministro do Desporto, não respondeu às tentativas de contacto por parte da comunicação social, mas hoje reagiu às notícias com um comunicado interno no Millennium BCP, enviado para os funcionário do banco.
"Fui ontem [quarta-feira] notificado ter sido constituído arguido em processo já tornado público através da comunicação social. Afirmo que estou inocente, pelo que aguardo com o maior interesse as provas que as autoridades venham a exibir relativas ao meu envolvimento no processo, o que por certo será efectuado em sede própria e não através da comunicação social", lê-se na nota do também ex-secretário de Estado da Administração Interna, citada pela Lusa.
Esclareço ainda que estou absolutamente convicto de que as actuações que desenvolvi, enquanto titular de cargos públicos e gestor de empresas, se pautaram por rigorosos critérios de ética quer na conduta pessoal quer na conduta profissional, pelo que, estou seguro que a investigação em curso confirmará que as suspeitas levantadas carecem de qualquer fundamento, sublinha Vara.
Banco mantém confiança em Vara
Depois da nota de Vara aos funcionários do BCP, foi a vez de o presidente do conselho geral e de supervisão do banco se pronunciar, num comunicado enviado à Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). Nessa nota, Luís de Melo Champalimaud informa que se reuniu com Conselho de Administração Executivo, o qual lhe assegurou estar salvaguardado o regular funcionamento do CAE, não existindo qualquer quebra de confiança entre os seus membros.
Assim sendo, o Presidente do Conselho Geral e de Supervisão considerando estar defendido o interesse da sociedade, aguarda serenamente o apuramento dos factos pelas instâncias competentes, pode lêr-se ainda na nota.
Tags: face oculta
Fotografia © José Sena Goulão - Lusa
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6 Comentários
29 Out 2009, às 23:52 - Portugal - Coimbra
A Polícia Judiciária faz o seu trabalho que é corecto e de elogiar.O que vai acontecer es- ses senhores safam-se sempre como tem acontecido.E vamos ver se a PJ não vai ser extinta,já que Portugal está em ENCERRAMENTO TOTAL.Para mais os ar- guidos estão ligados ao PS.
29 Out 2009, às 23:47 - Portugal - Lisboa
Então a Ana Paula Vitorino não quis demitir o presidente da REFER, teve como prémio ficar fora do governo. Ela e o marido... Bem feita... Os homens da Face Oculta é que mandam nesta Choldra....
29 Out 2009, às 22:03 - Portugal - Lisboa
Dois pilares da nossa democracia postos em causa. Paulo Penedos e Armando Vara, além do empresário e grande patriota Godinho. Estou certo que, como não pode deixar de ser, tudo isto acabará em nada. Será apenas mais uma das infames campanhas negras com que tentam denegrir os melhores de entre os nossos camaradas.
29 Out 2009, às 21:24 - Portugal - Porto
Sr. Augustos. A PJ já é dependente do Ministério da Justiça. Por isso é que os resultados da sua actuação são bem controlados. Eu defendo que a PJ deverá depender da "JUSTIÇA POPULAR". Veriam que não havia lugar nas prisões para tanta gente "importante"! O povo tem de reagir e quanto mais tarde pior.
29 Out 2009, às 21:20 - Portugal - Lisboa
Como é que uma pessoa, que já tem antecedentes, e que agora é arguído, pode continuar à frente de um Banco?Só se for por ter um cartão do PS.É para isto que servem as empresas públicas: empregar os desempregados da política, a quem ninguém daria trabalho devido à sua incompetência.
Augustos
29 Out 2009, às 18:49 - Portugal - Lisboa
Enquanto a Justiça não funcionar a corrupção de colarinho branco não deixará de aumentar. A PJ trabalha muito, enquanto os Magistrados e juizes nada fazem e o pouco que fazem não tem qualidade. Torna-se necessário integrar a Pj no Ministério da Justiça, para dinamizar a classe corporativa mais parasitário do nosso País. O Ministro da Justiça tem muito trabalho pela Frente, vamos estar atentos
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