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por BRUNO ABREU
Para combater a seca no Norte do país, os meteorologistas chineses lançaram químicos para a atmosfera para obrigar a neve a cair. Uma experiência do género já tinha sido feita nos Jogos Olímpicos, para limpar o céu de nuvens. Uma acção que ressuscitou problemas da geoengenharia.
O nevão fora de época que caiu há uma semana em Pequim, durante 11 horas, foi um dos que ocorreram mais cedo e mais intensamente desde há muitos anos. A novidade é que os cientistas chineses dizem que foram eles próprios a provocá--lo. No fim do mês passado, a zona agrícola do Norte da China estava a sofrer bastante com a seca. Por isso, há uma semana, os meteorologistas chineses dispararam 186 foguetes carregados de químicos com a missão de "semear" as nuvens e encorajar a neve a cair.
"É uma questão localizada. Se fosse algo mais global seria algo a recear, neste caso não", disse ao DN o físico Filipe Duarte Santos, que alerta para o facto de terem sido enviados para a atmosfera substâncias químicas: "É preciso ter cuidado, pois esses produtos químicos podem ter impacto ambiental."
Esta técnica, criada pelos norte--americanos nos anos 50, consiste em enviar para as nuvens gelo seco ou iodeto de prata (usado em fotografia e como anti-séptico na medicina). Estes químicos criam uma superfície para o vapor de água se transformar em líquido.
Outra questão que se coloca quando se fala deste tipo de técnicas é se elas poderão ser usadas para combater o aquecimento global. "A geoengenharia não é estruturante. Garantir que a temperatura do clima fica mais baixa é que é. É preciso tomar medidas para combater o aquecimento global, em vez de se esconder as suas consequências", argumenta Francisco Ferreira, vice-presidente da associação ambientalista Quercus.
Na próxima Primavera, um grupo de especialistas em mudanças climáticas irá reunir-se na Califórnia (EUA) para planear como e por quem é que a geoengenharia pode ser feita, para que haja uma alternativa para diminuir os efeitos do aquecimento global. Para o ambientalista, os efeitos da geoengenharia são demasiado imprevisíveis para que seja uma aposta viável: "As consequências podem ser um novo problema. Há um risco e um custo monetário muito elevado." Mas este custo pode ser suportado por alguém que seja milionário.
Mas não haverá o risco de aparecerem "justiceiros" pessimistas dispostos a financiarem estes projectos para minimizar as mudanças do clima?
Francisco Ferreira afirma que a geoengenharia "é uma moda e uma manobra de diversão que não vai resolver nada" e deixa uma alternativa para os milionários: "Eu se tivesse dinheiro investia na eficiência energética e depois nas [energias] renováveis. Isso, sim, são soluções", remata.
Tags: Ciência, Biosfera
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