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por Lusa
Arqueólogos do Centro de História Além-Mar identificaram, na baía da Horta, Açores, "vestígios importantes" de um naufrágio de um navio inglês, envolvido no tráfego atlântico em finais do século XVII ou início do século XVIII.
"Este pode ser o mais antigo vestígio arqueológico relacionado com a afirmação da cidade da Horta como escala técnica, estratégica para os navios ingleses", afirmou hoje José Bettencourt, arqueólogo coordenador dos trabalhos de pesquisa, em declarações à Lusa.
"É, seguramente, um raro documento das rotas comerciais britânicas no Atlântico dos séculos XVII e XVIII", frisou.
A equipa de arqueólogos encontra-se desde Abril a realizar trabalhos de salvaguarda, para minimização do impacte ambiental, na área de construção do molhe de protecção do terminal de passageiros do Porto da Horta, no Faial.
Os trabalhos permitiram identificar vestígios importantes de um naufrágio, dispersos por uma vasta área, dos quais se destacam cerca de quatro dezenas de dentes de elefante (marfim), quatro canhões em ferro, garrafas de vinho, copos em vidro, moedas, garrafas em grés de fabrico alemão ou inglês, armas de fogo e, entre outros, cachimbos em caulino.
Os artefactos de maior dimensão, nomeadamente os canhões em ferro, foram transferidos para a Baía de Entre-os-Montes, encontrando-se visitáveis aos praticantes de mergulho recreativo.
Os restantes materiais recuperados encontram-se actualmente nas instalações da Administração dos Portos do Triângulo e Grupo Ocidental (APTO-SA), onde receberam medidas de conservação preventiva.
José Bettencourt adiantou que "a opinião dos técnicos é que o material recolhido é suficiente para a implementação de um núcleo museológico que conte a história do Porto da Horta e da navegação inglesa no Atlântico".
"Esta descoberta é única a nível nacional e, mesmo a nível internacional, não haverá muitas destas peças que demonstram, claramente, o comércio e o início da afirmação da importância do Porto da Horta, como principal do arquipélago, que ainda hoje mantém", referiu.
Os navios britânicos operavam entre Inglaterra, África e as suas possessões ultramarinas, com escala técnica nas ilhas dos Açores, nomeadamente na Horta, onde efectuavam também actividades comerciais, envolvendo a troca de manufacturas por víveres e vinho do Pico, então exportado para a Europa e para as colónias inglesas na América Central e do Norte.
A exploração de marfim africano, a par do tráfego de ouro e escravos, assumia, neste contexto, particular importância, revelando os registos históricos que uma única campanha inglesa e portuguesa nos Camarões podia permitir a aquisição de 60 toneladas de marfim, envolvendo o abate de aproximadamente 2000 elefantes.
As primeiras descobertas sobre os restos deste navio e dos respectivos artefactos foram efectuadas, no ano passado, por dois mergulhadores do Departamento de Oceanografia e Pescas (DOP) da Universidade dos Açores.
Tags: Ciência
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