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Ambiente

São Brás de Alportel reciclou tonelada de rolhas de cortiça

por Cecília Malheiro, Lusa  

Se um dia viajar até São Brás de Alportel e ao lado dos tradicionais ecopontos para reciclar vidro, papel, plástico e óleos descobrir um rolhão, não pense que é uma brincadeira.

A autarquia foi pioneira no mundo na reciclagem de rolhas de cortiça e em 2008 recuperou perto de uma tonelada de rolhas. Parte das receitas são para reflorestar a Serra do Caldeirão com sobreiros bebés.

Em Dezembro de 2008, os empresários dos restaurantes de São Brás de Alportel, a população são brasense e, em especial, os meninos das escolas algarvias conseguiram reunir perto de uma tonelada de rolhas de cortiça para reciclar. A causa da reciclagem da casca do sobreiro já sensibilizou até os deputados da Assembleia da República.

A cortiça recuperada no Algarve foi transportada até Santa Maria da Feira, no norte do país, onde existe a única unidade fabril a nível mundial licenciada para reciclar rolhas de cortiça, contou o presidente da Câmara de S. Brás, António Eusébio, confiante que em breve a Corticeira Amorim, consiga também certificar a fábrica de Silves para a reciclagem das rolhas de cortiça.

As rolhas de cortiça recicladas nunca são utilizadas para produzir novas rolhas. Depois de transformadas, as aplicações vão desde as simples bases para copos e panelas, até à utilização na indústria automóvel, construção civil e aeroespacial.

A agência espacial americana, a NASA, por exemplo, utiliza cortiça para o revestimento de foguetões, satélites, sondas e naves espaciais por ser um material leve e maleável que resiste a temperaturas de dois mil graus, como explicou Gabriel Tocha, de nove anos, estudante no Externato Menino Jesus, em Faro.

A Bárbara Pais, o João César, o João Afonso e o João Maria, todos colegas do Gabriel no Externato, auto-proclamam-se de "ambientalistas" e todos os dias vigiam a pequena pipa de madeira da escola, recipiente onde vão parar todas as rolhas salvas do caixote do lixo lá de casa.

Todos sabem bem a lição dada pela educadora Ana Maria André, que não se cansa de ensinar que a reciclagem é a melhor forma de proteger o ambiente e insiste em trabalhos didácticos através da reutilização de materiais já usados.

O cozinheiro Osvalde Silva, dono do restaurante Vila Velha, situado mesmo ao lado da igreja de São Brás de Alportel, é também um fiel adepto da reciclagem.

No seu estabelecimento há um rolhão oferecido pela autarquia de s. Brás feito a partir de um tronco de um sobreiro e que está preparado para recolher centenas de rolhas de cortiça.

O "chef" e empresário nunca sabe ao certo quantos rolhas consegue recuperar para a reciclagem, mas num dia de movimento pode conseguir 30 a 40 rolhas. No final do mês pode chegar às de mil rolhas.

A maioria das rolhas despejadas no rolhão do Vila Velha são de garrafas de vinho tinto e branco, "porque o rosé não pega muito" naquele restaurante são brasense.

A par da população em geral de São Brás de Alportel e dos estudantes algarvios em particular, a causa da reciclagem da rolha de cortiça está também a ser acarinhada pelos deputados da Assembleia da República.

"Os nosso deputados abraçaram este projecto e também dentro do Parlamento promovem a reciclagem da rolha com a diferenciação de material", conta o autarca António Eusébio, que pensa em breve enviar um rolhão especial para o Parlamento.

No concelho onde nasce aquela que é considerada a melhor cortiça do mundo, nasceu também a necessidade de preservar a natureza e reciclar aquela matéria-prima cada vez mais escassa.

Longe do bulício das praias, porque São Brás de Alportel, a par com Monchique, é um concelho algarvio sem areais e sem mar, a autarquia está virada para a protecção da natureza e com a ajuda da Associação Nacional de Conservação da Natureza (Quercus), através do programa "Criar Bosques", uma parte das receitas provenientes da venda dos produtos triturados e aproveitados a partir das rolhas servem para comprar sobreiros infantis e reflorestar a Serra do Caldeirão, onde extensos sobreirais foram destruídos pelos incêndios de 2004.

Lusa


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