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por LUÍS NAVES
Ida viveu no Eocénico, há 47 milhões de anos. Foi herbívora, de pequena dimensão, mas já tinha polegar oponente e visão a três dimensões. Parecida com os lémures, mas sem ser um, esta primata pré-histórica é considerada uma "descoberta extraordinária" e o "elo perdido" entre os primatas (como os humanos) e animais mais primitivos. O degrau intermédio.
Uma equipa internacional de paleontólogos, liderada pelo norueguês Jorn Hurum, do Museu de História Natural de Oslo, estudou um fóssil de uma espécie de transição com 47 milhões de anos e descobriu algo que poderá rescrever a história da biologia. Os próprios cientistas falam em descoberta "extraordinária" e o seu entusiasmo deve-se ao facto de se tratar do mais antigo ancestral comum dos primatas e o "elo perdido" que une estes primatas superiores (incluindo os humanos), a muitas outras espécies.
Baptizada Ida, o animal do sexo feminino cujo esqueleto ficou preservado a 95% pertencia a uma espécie até agora desconhecida e que ficou com o nome científico de Darwinius masillae. Este animal semelhantes aos lemures é 20 anos mais antigo do que os fósseis existentes que podem explicar a origem dos primatas e da própria humanidade.
O fóssil foi na realidade descoberto em 1983, perto de Darmstadt, na Alemanha. A sua origem deverá estar na base de controvérsia científica, já que as conclusões a que chegaram os cientistas são invulgares e o objecto em si também. Os privados que encontraram o fóssil dividiram o achado em duas placas e uma delas, que tinha menor quantidade do esqueleto, foi restaurada. Esta parte acabou por ser comprada por um museu americano, que reconheceu esta alteração. A parte cientificamente mais importante ficou com o Museu de História Natural de Oslo e foi ali estudada pelo perito que liderou a equipa internacional.
Apesar destas vicissitudes, Ida está em condições de preservação espantosas e o trabalho de investigação publicado na revista especializada PLoS ONE revela aquilo que um professor da Universidade de Michigan, Philip Gingerich, compara a uma "pedra de Roseta", a famosa pedra que permitiu decifrar os hieróglifos egípcios.
Ida era herbívora e o estudo com raios-X revelou características distintas dos lemures, os animais com quem se parece à primeira vista. Daí que os cientistas tenham considerado que se tratava de uma nova espécie. O nome contém a referência ao local de origem, a pedreira de Messel, e a Charles Darwin, de quem se comemoram os 200 anos de nascimento.
Outras características que impressionaram os investigadores incluem a visão a três dimensões e as mãos com cinco dedos, com o polegar oponente que permitia movimentos de grande precisão. Tudo isto é visível no destaque da imagem. Menos visível é a fractura no pulso que poderá ter sido a causa da morte de Ida.
Tags: Ciência
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