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por Lusa
Um consórcio de 34 grupos de investigação de 14 países propõe-se desenvolver um novo fármaco para tratar de forma mais rápida e eficaz a tuberculose, uma doença infecciosa ainda com elevada taxa de incidência em Portugal.
Stewart Cole, coordenador científico do projecto, disse aos jornalistas em Praga que o fármaco se baseia em novos compostos, as benzotiazinonas (BTZ), e oferece também "excelentes perspectivas" para combater a forma da doença que é extensivamente resistente aos medicamentos (XDR-TB).
Estes compostos, recentemente descritos num estudo publicado pela revista Science, têm a capacidade de impedir o bacilo da tuberculose (TB) de construir paredes celulares.
"O alvo desta nova classe de compostos é um componente da maquinaria de construção da parede celular da Mycobacterium tuberculosis nunca antes visado por medicamentos", explicou o cientista num encontro com jornalistas à margem da conferência Research Connection, organizada pela Comissão Europeia em Praga, no âmbito da presidência checa da União Europeia (UE).
Acrescentou que o mais avançado destes compostos, BTZ043, "é extremamente potente, conseguindo matar o agente da TB tanto em experiências laboratoriais como em modelos animais da doença", sem efeitos secundários e após um mês tratamento.
O eventual novo fármaco está ainda a acabar a fase 1 de ensaios clínicos e, segundo Stewart Cole, que pertence à Escola Politécnica Federal de Lausanne (Suíça), só deverá estar disponível no mercado dentro de três a cinco anos.
E por ser tão eficaz como a Isoniazida e Rifampicina na redução dos níveis de bactéria nos pulmões e baços de ratinhos infectados, "é candidato à inclusão em terapias de combinação tanto para a tuberculose sensível aos medicamentos como à extensivamente resistente (XDR-TB)".
Esta forma da doença tornou-se conhecida em Agosto de 2006, quando se registou no Natal (África do Sul) uma epidemia extremamente virulenta de TB. Nos 25 dias seguintes ao diagnóstico, morreram 52 de 53 pacientes e até agora a XDR-TB matou 300 pessoas na África do Sul.
Actualmente, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a XDR-TB foi identificada em todas as regiões do mundo.
A tuberculose é uma das mais antigas doenças do homem e constitui um grave problema de saúde pública quando associado à pobreza e ao VIH/SIDA, sendo que apesar do aparecimento de novas estirpes fármaco-resistentes não foi aprovado nemhum novo medicamento nos últimos 40 anos.
Estima-se que o bacilo infecte um terço da população mundial e mate uma pessoa em cada 15 segundos, prevendo-se que seja responsável pela morte de 30 milhões de pessoas na próxima década.
Em Portugal, a taxa de incidência da doença tem vindo a baixar, mas continua a ser superior à média da União Europeia, que é de 17 casos por 100 mil habitantes, sendo que a taxa de doentes multi-resistentes aumentou.
O consórcio internacional de investigação, que se chama Novos Medicamentos para a Tuberculose (NM4TB), reúne grupos da Suíça, França, Reino Unido, Itália, Eslováquia, Suécia, Alemanha, Hungria, Dinamarca, Coreia do Sul, EUA, Rússia, África do Sul e Índia.
Para este projecto, o consórcio recebeu em 2006 um financiamento recorde de quase 11 milhões de euros por cinco anos no âmbito do Sexto Programa Quadro da União Europeia.
Tags: Ciência, saude
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