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por NUNO GALOPIM
O Teatro Maria Matos recebe hoje, acompanhado por outros músicos, o jovem compositor norte-americano que tem dividido o seu tempo entre o cinema, a música contemporânea e trabalhos na pop com Björk, Grizzly Bear, entre alguns mais.
Tem apenas 28 anos, mas a sua história na música já envolve colaborações com nomes como os de Antony & The Johnsons, Björk ou Grizzly Bear, a assinatura da banda sonora de O Leitor (de Stephen Daldry), um período de trabalho directo com Philip Glass e até mesmo a edição de discos - Speaks (2007) e Mothertongue (2008) - que colheram palavras de aclamação. Acabou em Agosto de compor uma primeira ópera, cuja data de estreia ainda não está num horizonte próximo (talvez "em 2018", avançou ao DN). E agora anda na estrada. Entre amigos. "É como darmos um jantar com amigos", graceja, acrescentando que "é um trabalho muito menos solitário que quando se está a compor".
Pela sua música e pelos arranjos que tem assinado para terceiros, já lhe foram atribuídos adjectivos vários, daqueles que expressam claro entusiasmo. Nico Muhly é contudo um pragmático. Informal na conversa, sempre com uma gargalhada pronta... Mas, acima de tudo, um pragmático.
Essa maneira de ser é uma das características que partilha com Philip Glass, para quem trabalhou durante algum tempo nos estúdios Looking Glass, em Nova Iorque. "Ele ensinou-me a encarar o facto de um compositor ser alguém com um trabalho a cumprir. Alguém que tem algo a fazer. Como um marceneiro que faz mesas", explica Nico Muhly, que descreve Philip Glass como "um dos compositores mais pragmáticos" dos nossos dias.
O período em que trabalhou com ele "não era como estar na escola", mas o músico recorda que então "sentia que estava a aprender". Lições que, algumas delas, lhe terão sido úteis quando, pouco depois, começou a fazer música para o cinema. Aventura que ganhou ainda mais fôlego quando Stephen Daldry o chamou para compor a banda sonora de O Leitor.
"Se alguém nos pede uma peça para um concerto a coisa é muito simples: dizem-nos essencialmente que é para 22 minutos, para violino e orquestra, que estreia daí a dois anos... E adeus!", comenta e ri... Com um filme, explica que é preciso "reunir todas as manhãs, ver pormenores na montagem, fazer acertos. É uma pressão enorme, mas acho isso bem divertido. A escrita de música é um processo muito solitário. Mas quando se trabalha num filme não se pode estar só", descreve.
Da relação de trabalho com Daldry tem boas recordações: "Foi um processo muito estimulante. Ele é um ser humano muito prático. Falava do que queria segundo um vocabulário muito específico. Dizia que isto teria sucesso e aquilo não... O que é óptimo... Porque me fazia sentir se as coisas estavam ou não a funcionar."
O gosto pela colaboração tem também residido nos trabalhos nas esferas da música pop que tem realizado nos últimos anos. "Tenho tido sorte com aqueles com quem tenho trabalhado", diz Nico Muhly, quando nos referimos a nomes como uns The National ou Antony & The Johnsons, para quem assinou arranjos. "Um arranjo", como explica, "é algo que se faz a pensar no outro. Quando se pega numa canção para fazer um arranjo não se pensa em nós mas sim na canção e em quem a fez. É como pegar numas calças. Não dizemos que nos ficam bem a nós. É antes dizer que é o outro quem fica bem com elas", conclui.
Tags: Artes, música
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