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A representação oficial portuguesa apresentou à Bienal de Arquitectura de São Paulo cinco projectos para escolas em cinco países africanos de expressão portuguesa.
Comissariados por Manuel Graça Dias, os participantes nacionais na Bienal - um dos certames mais importantes de arquitectura mundial, a decorrer até 6 de Dezembro - são Inês Lobo, Pedro Maurício Borges, Pedro Reis, Jorge Figueira e Pedro Ravara/Nuno Vidigal, que projectaram respectivamente escolas para Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe. "Todos arquitectos decididos a continuar uma prática que finalmente também poderá caracterizar a própria história de uma actividade disciplinar a que chamássemos portuguesa: a facilidade da mistura, o gosto e o desejo de compreender o outro, a coragem da proposição heterodoxa, a vontade da experimentação frente a novos cenários."
Esta representação é invulgar relativamente ao tipo de arquitectura que Portugal tem apresentado nesta Bienal, que se realiza desde 1975.
Desta vez, a ideia consiste em apresentar futuras obras que representam projectos "adequados" . E adequados, como refere o comissariado, "à escala local, às condicionantes locais, aos materiais e tecnologias locais. Escolas simples e de fácil execução, mas não miserabilistas nem redutoras das capacidades da arquitectura; escolas duráveis, fortes, de manutenção imediata, não reféns de tecnologias sofisticadas e de impossível futura reparação; escolas bonitas, simbólicas, amigáveis, em que os materiais e os modos de construção localmente mais popularizados possam adquirir nova expressão, potenciando outras aplicações inventivas e algum orgulho e consciência descontraídos sobre as tradições que o tempo foi seriando nas diferentes regiões africanas".
Por isso, as propostas são variadas e reflectem diversas abordagens do que será uma escola num local específico de África. Todos estes projectos aguardam parcerias locais para a sua construção, cujas diligências já estão em marcha.
Inês Lobo propõe para Achada Fazenda um conjunto de módulos dispostos alternadamente, que criam pátios : "Não quis uma escola com um grande recreio, mas antes um conjunto de espaços interiores e exteriores com escala aproximada e que se possam agrupar, permitindo uma contínua e renovada transformação do espaço de ensino", sintetiza a arquitecta.
Já Pedro Maurício Borges se preocupou sobretudo com os recursos locais e propõe materiais e formas recorrentes, como a terra e volumes simples, na sua proposta para Cachéu. É este também o caminho d a intervenção de Pedro Reis para Santa Catarina: "Envolver a população na construção" do novo equipamento," recorrendo a técnicas locais", e "incorporar o máximo de materiais disponíveis" ou "apostar na durabilidade das soluções". Já Jorge Figueira apresenta uma solução de características urbanas para Benguela: a escola é aqui entendida como factor de urbanidade, não apenas no seu sentido físico mas também transcultural. Traçado com base "numa grelha uniforme de ruas alongadas e composto por séries repetitivas de parcelas", um lotea- mento coloca o equipamento escolar no "centro de gravidade do conjunto, embora implantando-o de um modo relativamente isolado".
Finalmente, a dupla Pedro Ravara/Nuno Vidigal assina para o Lumbo, Nampula, uma escola em que o gesto da arquitectura pela arquitectura se sobrepõe à história e cultura do local. Dominada por um grande pátio, esta escola remete para as intervenções modernistas que muitos arquitectos portugueses realizaram nos anos 50 e 60 do século XX, na designada "África Portuguesa".
Mas, em todas as intervenções, a arquitectura é pretexto para um verdadeiro encontro de irmãos, uma vez que Portugal, assumindo-se como interlocutor com a Mãe África, expressa a sua mensagem nesse grande país do futuro, o Brasil.
Tags: Artes, Arquitectura
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