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Filha e amigo desconhecem decisão de Maria João Pires

por MARINA MARQUES, SÉRGIO B. MOTTA,  

Filha e amigo desconhecem decisão de Maria João Pires

A viver no Brasil desde 2006, Maria João Pires terá afirmado que pretendia renunciar à nacionalidade portuguesa, adoptando a brasileira. Contactados pelo DN, tanto a filha, Joana Pires, como o amigo Adriano Jordão dizem desconhecer esta intenção da artista

"Li com algumas reservas o que saiu nos jornais, porque acredito que tenha sido mais um desabafo num centro comercial. Não seria a primeira vez que se publicava uma notícia com erros", afirmou ao DN Adriano Jordão, o pianista brasileiro e amigo pessoal de Maria João Pires, à margem da FLIP, Festa Literária Internacional de Paraty, sobre a notícia avançada ontem pela Antena 2. Segundo a estação de rádio, a pianista terá confidenciado ao jornalista Paulo Alves Guerra, durante um encontro casual num centro comercial de Lisboa, que iria renunciar à cidadania portuguesa, optando pela brasileira.

Joana Pires, filha da pianista e presidente da Associação Belgais, afirmou ao DN desconhecer essa intenção da mãe, a viver no Brasil desde 2006, onde desenvolve um projecto semelhante ao de Belgais, "embora adaptado à realidade brasileira", explicou.

O também conselheiro cultural da Embaixada de Portugal no Brasil, Adriano Jordão, esclareceu ao DN a situação em que a pianista se encontra no Brasil, contrariando notícias veiculadas ontem que afirmavam que a artista teria dupla nacionalidade.

"Ela não tem nacionalidade brasileira, apenas autorização de residência que foi concedida num acto excepcional pelo valor e reconhecimento de Maria João Pires. Se por acaso a notícia for verdade - o que eu não acredito - será uma grande perda para Portugal, porque ela é uma das figuras mais importantes da cultura portuguesa. É uma artista de referência", acrescentou.

Este não parece ser, no entanto, o sentimento do Ministério da Cultura português. Fonte oficial limitou-se a dizer ao DN que "o Ministério não comenta decisões da esfera privada da artista", recusando mais comentários sobre a importância de uma figura como Maria João Pires manifestar a intenção de renunciar à nacionalidade portuguesa, por se encontrar magoada com a forma como o seu projecto educativo de Belgais tem sido tratado pelas entidades oficiais (ver página ao lado).

Manuel Maria Carrilho, que como ministro da Cultura seguiu de perto e apoiou o arranque do projecto de Belgais, considera esta situação "lamentável" e lembra que "a amargura da artista vem de longe". Assinalando o carácter excepcional da iniciativa, considera "trágico que um projecto tão qualificado possa estar em risco". "Mesmo com múltiplas falhas que possam existir, e não digo que Maria João Pires e as pessoas que com ela trabalham estejam isentos, Belgais não se pode perder", conclui.

Maria João Bustorff, que ocupou o cargo de ministra da Cultura entre Julho e Dezembro de 2004, também presente na FLIP, a acompanhar Lobo Antunes, não quis comentar o caso.

Alguns representantes de instituições culturais brasileiras receberam com regozijo a notícia, caso seja realmente verdade, por considerarem um privilégio ter a pianista como brasileira. Contactado pelo DN, o Ministério da Cultura brasileiro optou por não comentar.

As entidades portuguesas desconhecem a pretensão de Maria João Pires. Uma fonte do Ministério dos Negócios Estrangeiros adiantou ao DN não haver conhecimento de casos semelhantes. "Temos é casos de pessoas com dupla nacionalidade que pretendem ter uma participação activa na política local, sobretudo na América Latina, e para isso têm de renunciar à nacionalidade portuguesa", disse a fonte. Caso semelhante foi o de Rafael Branco, presidente do MLSTP que, em Junho de 2008, renunciou à nacionalidade portuguesa para ser primeiro-ministro de São Tomé e Príncipe.

O contrário é mais vulgar. A fonte do MNE revelou que são numerosos os casos, sobretudo em África e na América Latina, de pessoas que procuram um passaporte português, "muito cobiçado, até porque significa uma boa porta de entrada na Europa".

Tags: Artesmúsica


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George Sandes

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1 Comentário


George Sandes

04 Jul 2009, às 19:23 - France

É vergonhoso constatar os/as que se metem a jornalistas hoje em dia. Adriano Jordão é um PIANISTA PORTUGUÊS e não brasileiro. Em Brasília trabalha c/o Instituto Camões que partilha instalações com a embaixada de Portugal no Brasil!Onde está o rigor? Citam a «filha e amigo da pianista» e não entram em contacto com a própria MJP? Não têm contactos nem bagagem nem rigor.Que jornalismo?Lamentável


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