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por JOÃO MOÇO
Amanhã é editado 'A Mãe', novo álbum de originais de Rodrigo Leão, em que colaboram Stuart Staples (Tindersticks), Neil Hannon (The Divine Comedy), Daniel Melingo e a Orquestra Sinfonietta de Lisboa
"Este é o meu disco mais filosófico, no sentido em que aborda questões da vida e da morte, o que estamos aqui a fazer e para onde vamos, mas encaradas de uma forma natural, não temos de nos deprimir por levantarmos estas questões." Assim define Rodrigo Leão o seu novo disco, A Mãe, que será lançado amanhã. Este é também um álbum de homenagem à sua mãe, Maria Manuela Luna de Costa Leão Muñoz Miguez, que faleceu em Janeiro passado. Mas não se resume a esta dedicatória: "É uma homenagem à minha mãe mas queria que este disco não fosse só isso, porque já comecei a trabalhar neste álbum há dois anos enquanto que o que aconteceu à minha mãe foi muito rápido, entre Novembro e Janeiro", disse ao DN.
O músico confessou que foi a sua mãe que lhe "abriu os olhos" para o mundo da música: "Sempre esteve presente em tudo o que fiz, até na Sétima Legião, quando nos ajudava com os títulos das canções."
Na adolescência toma contacto com a música clássica através da mãe: "Na altura eu e os meus irmãos achávamos aquilo uma seca, até que aos 14/15 anos aquilo já começava a entrar", disse.
O percurso até este novo disco foi longo e demorado. Nos anos 80 integrou os Sétima Legião e os Madredeus, que abandonou no início dos anos 90. Muito mudou desde os primeiros discos a solo, dominados pelo canto lírico e por ambientes musicais densos. "Houve uma mudança com o Alma Mater, mudança que coincidiu com o facto de começarmos a dar mais concertos, o que mudou muita coisa sem me aperceber, porque inconscientemente pode ter contribuído para começarem a surgir mais canções e a nossa música ter-se aproximado mais do público", referiu.
A partilha é a sua forma de trabalhar, sendo que os músicos que integram o Cinema Ensemble já o acompanham há oito anos: "Fazemos os arranjos em conjunto e há uma comunicação cada vez maior e isso é importantíssimo", disse. A cantora Ana Vieira entrou para o colectivo somente em 2004: "A Ana está cada vez mais inserida, sendo que já componho a pensar na voz dela e neste disco ela chegou mesmo a ajudar-me a compor as melodias de duas canções", contou.
O disco foi composto em locais tão distantes como Nova Iorque ou Goa. Ao DN recordou esta experiência na Índia: "Em Setembro fomos para Goa, porque a minha mulher tem lá família; levei comigo um teclado pequeno, um portátil e uns auscultadores, material que anda sempre comigo. Andei a gravar sons da chuva, de pássaros, de crianças a brincar, que remetem para a minha infância e adolescência".
Ao DN Leão confessou que o seu processo de composição e gravação de um álbum é "demorado", mas diz: "Para mim as músicas nunca estão prontas. Há um ano, diria que o disco teria três temas cantados em português e o resto tudo instrumental. Mas com o tempo as músicas vão mudando e mudam-nos a nós".
A Mãe, que conta com colaborações célebres estrangeiras (ver caixa), chega às lojas amanhã.
Tags: Artes, música
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