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por Cláudia Melo
Uma equipa constituída por arquitectos, engenheiros, designers e artistas portuguesas está entre as três finalistas das 230 participantes num concurso internacional que tem por fim reinventar a cidade.
A iniciativa partiu da empresa norte-americana "Urban Re:Vision", constituída por um grupo multifacetado de pessoas empenhadas em modificar o ambiente urbano, através da reformulação de todos os componentes que formam um normal quarteirão urbanizado de qualquer cidade do mundo.
O protótipo arquitectónico escolhido vai materializar-se em Dallas, Texas, num quarteirão de 40 mil metros quadrados destinado a 854 habitantes, exemplo que posteriormente será estendido a diversas cidades dos Estados Unidos. O colectivo formado exclusivamente por arquitectos, engenheiros, "designers" e artistas portugueses, coordenado por António Louro (atelier MOOV), Filipe Vogt e Marta Frazão (Atelier Data), tem boas probabilidades de ver o seu projecto posto em prática.
Para responder ao desafio lançado em Dallas, o de um edifício multi-usos destinado a habitação, serviços e comércio, a equipa portuguesa partiu de um curioso pressuposto, este: "Desde sempre a natureza tem funcionado, o que nos desafia agora é encontrar a maneira que a faça funcionar para sempre…".
Entende ainda que " a inteligência tem-nos levado a um ponto em que temos ao nosso alcance uma variedade de soluções técnicas capazes de nos privar ou de nos providenciar condições de vida confortáveis e culturalmente enriquecedoras" e "é a forma como organizamos estes dispositivos que irá fazer toda a diferença".
No projecto "Urban Re:Vision", a equipe começou por estudar os ciclos naturais, enquanto estratégia principal e como forma de organização do espaço e modelo de soluções técnicas integradas. A ideia é que este modelo possa ser reproduzido e transcrito para o vocabulário urbano e arquitectónico. E explica: " Como paradigma escolhemos o declive, um dos sistemas mais versáteis da natureza. Perante este complexo programa, uma única e ampla abordagem não conseguiria responder a todas as necessidades. Por isso, o espaço está organizado em vales, encostas e declives, de modo a maximizar o aproveitamento solar, as vistas e as superfícies de produção". De facto, o projecto sustenta diversas soluções que lhe permitem um elevado grau de auto-suficiência, como espaços verdes no interior do quarteirão, coberturas verdes para produção agrícola, sistema de estufas nos andares superiores e sistema de construção 100 por cento em pré-fabricado, predominantemente em materiais locais.
O projecto define, também, unidades habitacionais diferenciadas, desde estúdios a apartamentos com três quartos, apresenta a combinação de sistemas fotovoltaicos com sistemas eólicos que fornecem a totalidade da energia necessária, pressupõe sistemas ajustáveis de persianas fotovoltaicas e de zonas permeáveis, para prevenção de cheias.
Para o colectivo, o objectivo final deste projecto não é o de construir uma estrutura física, mas de criar os meios para que uma comunidade possa habitar um determinado espaço. "Não ter em conta as pessoas que aqui morarão é como ver só metade de uma equação…", acrescenta. De tal forma que todo o complexo é acessível a pessoas com mobilidade condicionada.
O projecto tenciona modernizar Dallas, assim como promovê-la ao mundo como paradigma de uma solução para outras cidades que enfrentam os mesmos problemas. Porque, como aliás conclui a equipa portuguesa, "todos os projectos sustentáveis devem ser um compromisso" e não apenas ficar no papel.
Projecto
O objectivo é modernizar Dallas, assim como promovê-la no mundo como boa solução
Modelo
A ideia é que este possa ser reproduzido para o vocabulário urbano e arquitectónico 'Atelier' Consórcio de Atelier Data e Moov C O Atelier Data foi fundado, entre outros elementos, por Marta Frazão (n. 1978, Covilhã), licenciada pela FAUTL e mestre em Collective Housing pela Escuela Tecnica Superior, Universidad Politecnica de Madrid, e Filipe Vogt Rodrigues (n. 1977, Lisboa), licenciado pela FAUTL e antigo colaborador de Troufa Real. Dedicam-se a trabalhos de arquitectura e artes plásticas.
O Atelier MOOV foi fundado, entre outros, por António Louro (n. Lisboa, 1978), licenciado pela FAUTL. Dos trabalhos realizados destaca-se o concurso ECO-kit e a participação na Bienal de Arquitectura de Lisboa e LuzBoa.
Tags: Artes, Arquitectura
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