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Cinema

'Anjos e Demónios' põe o Vaticano em perigo

por EURICO DE BARROS  

Estreia-se hoje a adaptação ao cinema de mais um livro de Dan Brown, que faz pairar uma ameaça terrível sobre a Santa Sé, e Roma. O filme exige ao espectador uma dose de fé sobre-humana.

Se dependesse de William Donihue, o presidente da organização laica Liga Católica Americana, Dan Brown, o autor de Anjos e Demónios, e Ron Howard, que filmou o livro, tal como já havia feito a O Código Da Vinci, já estavam a cozinhar em fogo brando.

Há dois meses que Donohue anda a liderar uma feroz campanha contra Anjos e Demónios, tendo inclusivamente escrito um panfleto chamado Anjos e Demónios: Mais Demoníaco do que Angélico.

O seu comportamento contrasta radicalmente com o da Santa Sé e o da hierarquia católica, que acolheram esta nova aventura do professor de Simbologia Robert Langdon com serenidade e moderação (ver caixa), e deixaram os leigos mais enxofráveis a espingardar sozinhos contra o filme.

Aliás, se William Donohue fosse ver Anjos e Demónios, rapidamente repararia que o filme não põe em causa a Igreja Católica enquanto instituição, embora lhe reprove os abusos de poder e os excessos de secretismo. No final de Anjos e Demónios, até há uma troca de galhardetes entre o académico ateu interpretado por Tom Hanks (de volta ao papel de Robert Langdon) e o velho cardeal insider do Vaticano, personificado por Armin Mueller-Stahl.

Ron Howard até disse numa entrevista que a fita "trata a Igreja com respeito - até  com alguma reverência - pelas suas tradições e crenças". Estamos a milhões de quilómetros de distância do génio blasfemo de um Luis Buñuel.

O mesmo é dizer que em livros como O Código Da Vinci ou Anjos e Demónios, e nas suas adaptações ao cinema, a representação conspiratório-sensacionalista que fazem da Igreja e dos seus bastidores, não passa de um mero cabide para pendurar o entretenimento, de um "gancho" narrativo para capturar o leitor e o telespectador.

E neste capítulo, Anjos e Demónios é mais do mesmo de O Código Da Vinci, aplicando uma receita semelhante, com ligeiras alterações nas porções dos ingredientes.

Apesar de ter sido escrito antes de O Código Da Vinci, os argumentistas Akiva Goldsman e David Koepp "mexeram" em Anjos e Demónios para que pareça ser uma continuação daquele, quando se trata da primeira e não da segunda aventura de Robert Langdon.

O académico de Harvard volta a ter de dar corda aos sapatos e a puxar pelos galões de mestre decifrador de enigmas ocultos em obras de arte, para evitar que o Vaticano e parte de Roma sejam destruídos por antimatéria roubada ao CERN, que quatro cardeais papáveis sejam assassinados, e que o Papa errado seja eleito, fazendo um rali paper pelas igrejas e obras de arte renascentistas romanas.

E é caso para dizer, que para acreditar no que Howard e Brown lhe querem fazer engolir, e suspender a proverbial descrença, é preciso que o espectador tenha uma fé sobre-humana, maior do que a de quem vai a pé a Fátima.

No seu simplismo de juntar por pontinhos, Anjos e Demónios é um filme de uma inverosimilhança descarada e de uma previsibilidade bocejante, onde Tom Hanks tem menos que fazer do que o cura de uma daquelas aldeias remotas com meia dúzia de velhotes.

Perante Anjos e Demónios, até o ateu fica com vontade de dizer: Deus nos ajude contra filmes tão vistosamente maus.

Tags: ArtesCinema


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fcarapinha

Perante tais criticas cinematográficas, ...

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L.Rego

Não acredito que seja assim tão ...

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2 Comentários


fcarapinha

15 Mai 2009, às 13:31 - Portugal - Setúbal

Perante tais criticas cinematográficas, até o leigo fica com vontade de dizer: Deus nos ajude contra criticos tão vistosamente parciais. Nada tenho contra o Sr. que escreveu este artigo, nem sequer o conheço. Não sou nem pretendo ser critico de cinema, nem sequer pretendo ser critico daqueles criticos que de certeza estudaram em algum curso universitário de criticos de cinema. Sou apenas um apreciador do chamado género “Blockbuster”... qual é o mal disso ?? A razão do meu comentário é tão somente a verificação dia após dia, de que um apreciador do género Blockbuster não consegue ver publicados artigos de opinião de criticos que dêem o devido valor ao género per si. Porque é que este tipo de filmes, sejam de acção, mistério, aventura, ficção cientifica, terror, suspense, etc, enchem as salas de cinema, ( se calhar daí vem o termo “Blockbuster” ) e não existem pessoas com coragem suficiente para escreverem artigos sérios, mas construtivos, elogiando por exemplo, os actores, os efeitos especiais, os duplos, etc. Será que não existem leitores para este tipo de critica ? Será que os filmes do tipo Almodovar, Wim Wenders, Manoel de Oliveira é que são os bons filmes ? São esses que enchem salas semanas a fio ? São esses que o público em geral gosta mesmo ? Ou será que as pessoas dizem que gostam porque está na moda dizer que gostam em público, e depois, em privado, ir a correr ao clube de video alugar o mais recente Blockbuster para ver em casa ? Porque será que ainda não existe um Oscar dedicado ao melhor Blockbuster, ou por exemplo aos melhores actores; melhores efeitos especiais, melhores duplos, etc ? Para terminar, e ainda em relação à critica do filme “Anjos e Demónios” queria só deixar uma comparação, para que se perceba o meu ponto de vista: Imaginem que uma marca de automóveis lança um novo modelo de utilitário. Imaginem agora que, o critico encarregado de avaliar o carrito, ( mas que pessoalmente só gosta de ferrari e lamborghini ) decide dizer mal do utilitário. - Com carritos assim, Deus nos ajude ... Obrigado Fernando Carapinha


L.Rego

14 Mai 2009, às 09:00 - Portugal - Lisboa

Não acredito que seja assim tão mau. Para já ponho em causa a imparcialialidade e o alarmismo de Eurico de Barros. Fala como um crente ofendido. Vou ver! Mais: agora quero mesmo ver!


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