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por Paula Lobo
Após dez anos de investigação, dois historiadores alemães concluíram que Van Gogh não se automutilou: terá sido Gauguin, com um golpe de espada, a cortar-lhe a orelha. O motivo? Uma prostituta chamada Raquel.
A teoria não é nova, mas agora é sustentada por dois historiadores alemães que dedicaram dez anos a analisar os relatórios originais da polícia francesa, os depoimentos de testemunhas e as cartas trocadas entre os dois pintores desavindos. Afinal, parece que Van Gogh não cortou a própria orelha com uma navalha. Terá sido Gauguin, também mestre na arte da esgrima, que no calor de uma discussão por causa de uma mulher o mutilou com um golpe de espada. Provavelmente, por acidente.
É esta a tese defendida pelos investigadores Hans Kaufmann e Rita Wildegans, no livro Van Gogh's Ear: Paul Gauguin and the Pact of Silence (A Orelha de Van Gogh: Paul Gauguin e o Pacto de Silêncio, em tradução literal), que acaba de ser publicado na Alemanha. E, segundo o El Mundo, será essa a versão dos factos que será apresentada, em Junho, num congresso internacional a realizar em Basileia - onde, desde 26 de Abril e até 27 de Setembro, no Kunstmuseum, se exibe Vincent Van Gogh- Between Earth and Heaven: The Landscape, uma grande mostra dedicada às paisagens pintadas pelo mestre holandês.
Conta a historiografia oficial que Paul Gauguin foi para Arles em Outubro de 1888, a convite do seu amigo Vincent Van Gogh, que por essa altura andava entusiasmado com a luminosidade e as cores da Provença. Durante nove semanas, coabitaram com discussões na Casa Amarela. Até que Gauguin quis voltar para Paris. E Van Gogh, que já sofria de distúrbios mentais, reagiu mal.
Van Gogh terá ameaçado Gauguin, pegou na navalha de barbear e cortou a orelha esquerda. Dirigiu-se depois a um bordel da cidade e entregou a orelha a uma prostituta, chamada Raquel. Foi para casa e só mais tarde, voluntariamente, se internou no hospital. Gauguin partiu de imediato para Paris. Van Gogh deixou Arles em Janeiro de 1889. É esta a versão aceite pelo próprio Museu Van Gogh de Amsterdão (ver.vangoghmuseum.nl).
Mas Hans Kaufmann e Rita Wildegans suspeitaram da arma usada - seria difícil alguém cortar a própria orelha com uma navalha. Encontraram incongruências na história. E após se debruçarem sobre os documentos da polícia, os depoimentos, as notícias publicadas na época e as cartas trocadas, concluíram que não foi bem assim.
De acordo com os investigadores alemães, conta o El Mundo, os dois pintores travaram-se de razões por causa da prostituta Raquel. Van Gogh terá ameaçado Gauguin com a navalha e este, um bom esgrimista, defendeu-se com um golpe de espada que lhe mutilou a orelha.
"O encontro final deu-se perto do bordel, a cerca de 300 metros da Casa Amarela: Vincent pode tê-lo atacado e Gauguin quis defender-se e livrar-se daquele 'louco'. Sacou da sua arma, fez algum movimento em direcção a Vincent e, ao fazê-lo, cortou-lhe a orelha esquerda", explicou Hans Kaufmann ao The Guardian. Acrescentando que fica por esclarecer se o golpe de Gauguin foi ou não acidental.
Gauguin, nesta versão dos factos, partiu logo para Paris, para não ser preso, e Van Gogh, para proteger o amigo que tanto admirava, contou às autoridades francesas que se feriu a ele mesmo.
"A teoria da automutilação foi uma invenção", afirmou Rita Wildegans, citada pelo El Mundo. "O problema", disse Hans Kaufmann, "foi o preço que pagaram ambos. Gauguin evitou o cárcere. Van Gogh evitou o hospital, precisamente para evitar as suspeitas".
Os curadores do Museu Van Gogh, refere o The Guardian, continuam a defender a tese da automutilação, não dando grande importância à tese dos dois historiadores alemães. Mas Kaufmann argumenta que, nas cartas ao seu irmão Theo, Van Gogh deixou pistas como esta: "Felizmente, Gauguin... ainda não está armado com metralhadoras e outras armas de guerra perigosas".
Tags: Artes
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