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Salazar o largo e a ronha

por Ferreira Fernandes  

No dia 31 de Janeiro de 1974, no Coliseu do Porto, comemorava-se a revolta antimonárquica de 31 de Janeiro de 1891. Pediram autorização às autoridades, pagaram a sala (80 contos) e fizeram discursos fastidiosos.
Estava a falar um estudante (viria a ser ministro e banqueiro), quando se levantou o representante do Governo Civil, que disse: "O senhor cale-se". E o estudante teve de meter o discurso no bolso. 35 anos depois, a Câmara de Santa Comba Dão decidiu inaugurar o Largo Salazar no dia 25 de Abril. Fico contente por ter acontecido alguma coisa (o que terá sido?) entre estas duas situações, a do Porto e a de Santa Comba, que permite que os desta última possam comemorar o que querem sem que os mandem calar. Têm mau gosto? Têm. Mas têm direito a tê-lo. Um dos autarcas disse que juntar o dia 25 de Abril e a homenagem ao ditador não era propositado. De todo o episódio, é isso que me incomoda. Acabar com o regime salazarista, o 25 de Abril conseguiu. Acabar com o fazer manhoso que diz que não faz, isso é que é difícil. Esse ranço é pré-salazarista, já está entranhado.


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