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heróis lá da terra

Os bravos indefectíveis do basebol... português

por SÉRGIO PIRES  

Iniciativa. Obra de ex-emigrantes, o Centro Luso-Venezolano acolhe um desporto muito popular no lado de lá o Atlântico, encarado no mais puro espírito amador. Vão cimentando a modalidade em Santa Maria da Feira enquanto esperam a instalação de um sintético prometido pela autarquia

O cenário é um campo de futebol pelado em Nogueira da Regedoura, freguesia de Santa Maria da Feira, mas o empenho e paixão pelo jogo que transparecem cada vez que o taco bate na bola e os jogadores correm pelas bases é semelhante ao que se poderia ver no Yankee Stadium de Nova Iorque. Só a emoção e o prazer de jogar basebol permitem esta comparação especulativa, já que tudo o resto está a anos-luz do que se vive do outro lado do Atlântico, nos Estados Unidos, nas Caraíbas ou, claro está, na Venezuela.

Em Portugal, o basebol encara-se no mais puro espírito amador. Os equipamentos são adaptações de camisolas e chuteiras de futebol ou, na melhor das hipóteses, são encomendados pela internet, que também fornece imagens, através do YouTube, de ídolos da outra galáxia que é a Major League norte- -americana. Bonés e tacos são mais fáceis de comprar por cá, mas um equipamento completo ficará por 160 euros, suportados integralmente pelos atletas. Esse é o preço a pagar pela vintena de entusiastas deste desporto que se juntam aos sábados à tarde para darem chama à equipa Bravos do Centro Luso-Venezolano.

Além da designação - assim mesmo, em castelhano - a associação fundada há 24 anos pelo grande núcleo de antigos emigrantes portugueses na Venezuela da zona de Espinho e da Feira encontrou mais recentemente outro ponto de ligação com o antigo país de acolhimento: o basebol, desporto-rei na pátria de Hugo Chávez. Culpa dos irmãos Carlos e Ricardo Freitas, dois estudantes de vinte e poucos anos, que vieram muito pequenos de Caracas e na adolescência resolveram, com o apoio do pai, então membro da direcção, incluir a modalidade na vertente desportiva desta bem dotada associação.

"Vim para Portugal com três anos, mas quando voltava à Venezuela habituei-me a ver jogos de basebol e a jogar com familiares que ainda lá estão", refere Carlos Freitas.

Desde que, há cinco anos, passou a ser uma realidade, a única equipa a praticar a modalidade na Área Metropolitana do Porto tem participado nas incipientes provas que vão sendo organizadas a nível nacional e até já conquistou uma Taça de Portugal. Entretanto, foi crescendo o número de jogadores, muitos deles universitários sem ligação à comunidade luso-venezuelana e mesmo alguns emigrantes que por cá encontraram forma de matarem saudades do jogo. "Já tivemos um dominicano que já jogou na II divisão do seu país e, no ano passado, um cubano, que era bom jogador", refere Ricardo Freitas, apontando em seguida o exemplo de Pedro Romero. Este venezuelano de 43 anos chegou ao Porto, há poucos meses, para trabalhar em telecomunicações e logo tratou de pesquisar na internet um local para poder jogar. Para ele, as diferenças são substanciais: "Em Portugal é complicado arranjar gente e disponibilidade para organizar um jogo de basebol. Na Venezuela, jogamos em qualquer lado, é preciso brigar para arranjar um campo."

As dificuldades são compartilhadas por Carlos Freitas, que reconhece a dificuldade em "cativar apoios e manter jogadores com interesse e mentalidade para continuarem na modalidade". "É muito complicado fazer vingar esta modalidade cá, só se dá importância ao futebol. Mas com perseverança vamos lá", desabafa. Perseverança é mesmo uma característica essencial para os Bravos, que têm vários desafios pela frente: O próximo passará pela criação de escalões jovens e pela evolução competitiva da equipa sénior. Para tal, é necessária a instalação de um relvado sintético, já prometido pela autarquia.


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