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Mundial 2010

FIFA não apaga mão de Henry, que já é assunto de Estado

por RUI MARQUES SIMÕES  

FIFA não apaga mão de Henry, que já é assunto de Estado

Caso da bola na mão de Henry com que França afastou Irlanda já levou Governo irlandês a pronunciar--se. Mas FIFA não quer repetir o encontro

O jogo França-Irlanda, de apuramento para o Mundial 2010, não descambou numa guerra (como o Honduras-El Salvador, em 1969), mas já se transformou num assunto de Estado. Ontem, até o primeiro-ministro irlandês, Brian Cowen, veio pedir a repetição do play-off de quarta-feira - que foi decidido num lance em que o francês Henry jogou a bola com a mão.

Em 1969, deu-se a "guerra das cem horas" ou "guerra do futebol", espoletada por rivalidades antigas e por um Honduras-El Salvador de qualificação para o Mundial 1970. 40 anos depois, no seio da União Europeia (UE), não haverá algo similar. Mas o França-Irlanda já está a jogar-se no campo diplomático.

No prolongamento do França--Irlanda Thierry Henry tocou a bola com a mão, para assistir Gallas para o golo que apurou os franceses para o Mundial (2-1 na eliminatória). O árbitro Martin Hansson nada assinalou. Mas os irlandeses não se conformaram e pedem à FIFA, entidade que gere o futebol mundial, que repita o jogo.

"Vamos exigir à FIFA que organize uma repetição do jogo. A mão na bola foi reconhecida pelo comissário da FIFA, pelo observador do árbitro, pelos responsáveis do jogo, bem como pelo próprio jogador", refere a federação irlandesa, em comunicado. O pedido é sustentado pelo Governo da Irlanda. "O nosso ministro dos Desportos vai escrever à FIFA a pedir um novo jogo", revelou o primeiro-ministro irlandês, à margem do encontro em Bruxelas para definir o futuro presidente da UE. Brian Cowen admitiu mesmo que "provavelmente" vai falar, sobre o caso, com o presidente francês, Nicolas Sarkozy.

Contudo, a FIFA nunca gostou de ingerências políticas e já veio fechar a porta às pretensões irlandesas. Um porta-voz da organização veio lembrar a "lei 5 do futebol", dizendo ao jornal Guardian que "as decisões do árbitro são soberanas e finais". Ou seja, não há margem para repetir o jogo.

Agora, os irlandeses agarra-se a um precedente: "Em 2005, a FIFA invalidou o resultado de um jogo de qualificação para o Mundial entre o Usbequistão e o Bahrein, por causa de um erro técnico do árbitro da partida". Mas já nem o seu treinador parece ter fé. Giovanni Trapattoni diz que "é impossível que se repita o jogo", mas espera "que isto sirva para fazer os responsáveis pensarem" e até aceitaram a tecnologia no futebol.

Quem ficou debaixo de fogo foi Henry. O atacante francês só se acusou após o jogo. "Houve mão. A bola bateu-me e continuei a jogar. Evidentemente, preferia que tivesse sido de outra maneira, mas não sou árbitro", explica. Henry é desculpado por "Trap" que diz que "ele diria a verdade ao árbitro, se ele lha tivesse perguntado". Mas não se livra de críticas da imprensa e de Cascarino, antigo jogador irlandês: "Ele é um batoteiro hipócrita."

Indiferente a isto está o técnico gaulês, Raymond Demonech, que tinha o lugar em risco mas já viu a federação "segurá-lo" até ao mundial. "Agora que nos qualificámos, não vamos ficar a discutir um golo", desconversa o treinador.


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