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por Duarte Ladeiras
Fotografia © Fernando Fontes-Global Imagens
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Luís Horta (à dir): "Um esforço muito grande do pessoal do LAD"
Portugal registou no ano passado menos infracções antidoping do que em 2008 – 47 contra 51 –, mas o trabalho para o Laboratório de Análises e Dopagem (LAD) continuou a aumentar, com cada vez mais pedidos de análises por parte de entidades estrangeiras e os passos que são necessários para concluir os projectos da Autoridade Antidopagem de Portugal (AdoP). O ciclismo é a modalidade com mais casos de dopagem.
“Foi um esforço muito grande do pessoal do LAD”, salientou o presidente da ADoP, Luís Horta, referindo-se às 3830 amostras que o laboratório analisou no ano passado, mais 80 que em 2008 (excluindo as 481 de entidades estrangeiras). No âmbito do programa antidoping nacional, foram examinadas 3349 amostras, menos do que no ano passado, mas a ADoP está a direccionar recursos para os controlos fora de competição, considerados mais eficazes na detecção de doping com produtos mais potentes.
“Essa tendência deverá continuar. Somos um dos países com melhor rácio atleta/número de testes, mas temos de fazer controlos mais inteligentes, que também são mais caros, e por isso temos de encontrar um equilíbrio”, afirmou Horta, hoje, durante a apresentação das estatísticas de 2009 do combate ao doping em Portugal.
O presidente da ADoP salientou que o número de positivos tem estabilizado, “numa margem semelhante à dos outros países com programas adequados”. Houve 47 infracções antidopagem no ano passado. Ou seja, 1,36% de todas as amostras analisadas, abrangendo 23 modalidades. Em 2008, as infracções chegaram a 51, representando 1,38%, em 24 desportos.
“Em 2009 fizemos mais trabalho que em 2008, mais acções de controlo, mais controlos fora de competição, e, não obstante isso, em termos de infracções os números são melhores, o que significa que o poder dissuasor e as acções de pedagogia no âmbito do desporto saudável têm dado resultado junto dos nossos públicos alvo, nomeadamente os atletas”, afirmou Laurentino Dias, secretário de Estado da Juventude e Desporto, que tutela a ADoP. “Estamos no bom caminho. Temos um núcleo de pessoas na ADoP, que nos dão uma garantia absoluta em termos científicos e éticos”, vincou.
O ciclismo continuou em 2009 a liderar os números, com dez casos, quatro em competições internacionais, mais um do que no ano anterior. Estes quatro incluem os positivos de três ciclistas da Liberty Seguros, durante a Volta a Portugal: Nuno Ribeiro, o vencedor da prova, Isidro Nozal e Hector Guerra.
Seguem-se com quatro casos a patinagem, na maioria devido a drogas sociais, e o futebol. Esta modalidade foi elogiada por Luís Horta, pois, apesar de fornecer um terço de todas as amostras recolhidas no âmbito do programa antidoping português, o futebol teve positivos em apenas 0,33% de todos os testes feitos. A modalidade manteve o bom registo de 2008, quando teve apenas três casos.
Quanto à distribuição das infracções por tipo de substância dopante, houve um aumento nos canabinóides (de 41 para 45%), problema que, conforme salientou Luís Horta, tem cariz social e reflecte-se no desporto. Contudo, realçou este responsável, a ADoP tem abertura para que as federações optem por sanções reduzidas, desde que os atletas depois se sujeitem a controlos fora de competição durante seis meses, para garantir que está a cumprir um processo de reabilitação.
Relativamente a 2008, surgiram casos de narcóticos (4%) e um de hormonas peptídicas (2%), no futebol, mas, em compensação, houve uma queda nos estimulantes (de 22 para 13%) e nos anabolizantes (de 11 para 9%).
Durante a apresentação dos balanço do programa do ano passado, Luís Horta lembrou que houve também mudanças nas autorizações de utilização terapêutica (AUT), que permitem aos atletas tratarem doenças com medicamentos que contêm algumas substâncias proibidas. O uso de beta-2 agonistas, tratar problemas respiratórios, como a asma, obriga agora a uma autorização prévia, o que fez cair significativamente o número de pessoas a usar este tipo de medicamento.
Horta não quis concluir que esta queda indicia que havia quem usasse as AUT para contornar o sistema antidoping. Como a maior parte dos processos não concluídos se deveu à falta de documentação, nomeadamente exames, o presidente da ADoP salientou que em muitos casos os atletas foram consultados por médicos e que estes concluíram que os pacientes já não necessitavam de beta-2 agonistas.
Tags: Desporto, Antidoping, doping
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