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Quem são os oito artistas a olhar para o DN

 

Conheça os trabalhos de João Carreira, João Leonardo, Pedro Barateiro, Sara e André, Pedro Valdez Cardoso, Diana Costa, André Cepeda e Isabel Simões.

Habitar os espaços de outros

O arquitecto João Carreira foi o responsável pelas obras realizadas no edifício do DN nos últimos anos, incluindo a reabilitação da galeria, o que lhe permitiu estender a este sítio a sua habitual reflexão sobre a maneira como habitamos e recriamos os espaços onde vivemos e trabalhamos. "Estamos constantemente a habitar as casas dos outros", diz, referindo-se ao facto de poucos terem a oportunidade de construir uma casa de raiz. "Trazemos as nossas experiências e memórias para transformar os espaços que foram de outros e torná-los naquilo que imaginámos", explica.

Fazendo palavras cruzadas

João Leonardo, que já ganhou o Prémio EDP de Jovens Artistas, trabalha habitualmente sobre os vícios e as virtudes. É exactamente isso que acontece neste vídeo de 2006, em que o artista (ou uma personagem por ele criada) aparece a fazer palavras cruzadas e a fumar. "A repetição de um acto é que o torna um vício", explica João Leonardo que todos os dias compra dois jornais e perde algum do seu tempo a resolver as palavras cruzadas. Hugo Dinis sublinha o lado subversivo deste trabalho que parece promover o tabaco numa época em que é proibido fumar em quase todos os locais.

Recontextualizar  o passado

Pedro Barateiro participa nesta exposição com uma peça singular: foi ele que criou o catálogo. Uma vez que o artista reside em Paris, foi Hugo Dinis que se dedicou à pesquisa, nos arquivos do jornal, seleccionando notícias dos anos 60 e 70 que falassem de Angola, de Moçambique e de exposições. Com este material, Pedro Barateiro fez um trabalho de descontextualização, colagem e recontextualização que o curador considera "muito subversivo e pertinente, politicamente activo".

O poder de pisar o outro

Pressionado pelo espaço da galeria, que considera "um espaço muito difícil, muito institucional e muito marcado", Pedro Valdez Cardoso fixou-se na ideia de que a sala já foi utilizada como recepção/sala de espera do jornal. Não foi difícil, por isso, escolher, entre as suas peças, o tapete sem título (caça grossa). Além disso, este tapete que tem a pele de uma zebra mas a forma de um homem (repare-se bem nos pés e nas mãos) é, claro, uma forma de falar da ténue separação entre o uso e o abuso do poder e da subjugação, dialogando na perfeição com os painéis de Almada, que "falam do outro, do exótico".

Uma janela com a história do DN

Ao aceitar participar nesta exposição, a pintora Diana Costa decidiu começar por fazer uma pesquisa sobre o modo como as primeiras páginas do DN evoluíram ao longo dos tempos - primeiro só com texto, depois com ilustrações, depois com fotos a preto e a branco e a cores. Algumas dessas imagens, que a fascinaram, acabaram por ser usadas para criar as cortinas que agora estão nas janelas da galeria. Mas não só. A reflexão de Diana Costa sobre a história do DN prolongou-se também para a sua localização - do Bairro Alto (onde ainda há uma Rua Diário de Notícias) para a Avenida da Liberdade.

Que imagem temos do País?

O trabalho que André Cepeda aqui mostra foi resgatado de uma exposição apresentada no ano passado no Porto. Não tendo sido feita propositadamente para esta exposição, Hugo Dinis ficou curioso por ver como é que a fotografia iria "reagir com os painéis do Almada, sobretudo com o mapa de Portugal". A ideia é levar-nos a reflectir sobre a imagem que tínhamos do País durante o Estado Novo e sobre a imagem que temos do País actualmente. E se estas imagens correspondem de alguma forma à realidade.

Os painéis escondem e dão a ver

Era impossível retirar da galeria os módulos brancos, geralmente usados para expor quadros. Esse problema acabou por ser um desafio para Isabel Simões que transformou a sua pintura numa instalação. "Decidi usar os painéis de maneira convencional, pendurando um quadro, mas criticando a sua utilização", explica. Os tais painéis que são dispositivos para dar a ver as obras tornam-se aqui obstáculos à sua visibilidade. "Para mim era complicado expor sobre os painéis, abstraindo do resto da sala, nomeadamente dos frescos do Almada, por isso optei por esconder a obra e dar a ver o resto."

Os artistas mostram-se (ou não)

A dupla de artistas Sara e André tem um trabalho singular que brinca muito com a questão da comunicação - questionando o modo como e os critérios com que os artistas se projectam ou são projectados pelos meios de comunicação. Nesse contexto, a sua proposta para esta exposição seria de fazer publicar nas páginas do DN uma ilustração de João Maio Pinto em que eles estão representados - o que leva ao questionamento (também já habitual nas suas peças) sobre a autoria das obras de arte. Infelizmente, por motivos a que são totalmente alheios, não foi possível publicar a ilustração que, no entanto, aparece no catálogo da exposição.

Tags: Cartaz


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