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Sentes-te como “O Padrinho” do festival?Ha, ha… inicialmente foi um acidente, acho que foi por ter sido convidado para a primeira edição. Foi amor instantâneo para mim com Barcelona, senti uma energia verdadeira no offf. Eu faço todo o tipo de coisas durante o ano, mas podes ter a certeza que o offf é a melhor altura e também a minha favorita. Pensei que talvez fosse Barcelona, mas o ano passado em Lisboa tive uma experiência explosiva e energética.
Para ti, como é que o offf evoluiu durante todosestes anos?Eu acho que ninguém imaginou que o offf se fosse tornar no que é hoje. Lentamente evoluiu para isto: um ser com a sua própria cultura – tem que se entender o offf. O Héctor e a equipa mantêm-no da mesma maneira que era no princípio, mas ter mais de três mil pessoas a visitar o festival em Portugal em 2009… Nunca pensei que tivéssemos este impacto tão forte aqui.
O que podemos esperar de ti este ano?Eu vou estar no painel Fail Gracefully que me é muito querido, porque sou um mestre no falhanço todos os dias. Eu realmente penso que o meu trabalho é mais sobre o falhanço e descobrir o entusiasmo nisso. Também vou falar sobre o espaço no Roots: o espaço entre nós, o espaço sideral… Já o fiz várias vezes e penso que funciona muito bem. No que diz respeito à minha instalação no Openroom, o ano passado convidei as pessoas para pintar e este ano vou usá-las outra vez, mas digitalmente, com luzes infra-vermelhas e câmaras para apanhar o movimento das pessoas. Vou fazê-lo com um colega de Montreal chamado Float 4.
De que artistas gostas mais este ano?Paula Scher, ela tem uma sensibilidade da velha escola, por isso há imenso para aprender com ela. O Stefan Sagmeister é um amigo meu e ele é sempre inspirador. Recentemente conheci o Kyler Cooper da Prologue Filmes e convivi algumas vezes com ele e é uma excelente pessoa. E eu tento sempre conhecer alguns artistas locais, acho que é muito importante er o que se passa aqui.
Como é que separas o teu trabalho entre públicoe privado?Infeliz ou felizmente grande parte do meu trabalho é divertido. Cheguei a uma posição em que tudo é muito divertido. O tipo de trabalho que faço é o trabalho para o qual sou contratado para fazer. Quando lanço um projecto é como se estivesse a dizer ‘é isto que eu sou’, mas muitas pessoas não fazem isso. Há pessoas que tentam arranjar um emprego, tentam usar imensos chapéus para agradar a toda a gente e isso não funciona. Eu estou mais ou menos numa posição privilegiada e só tenho que escolher três ou quatro trabalhos corporativos de grande dimensão por ano. Mas também abri uma loja recentemente para vender alguns dos meus trabalhos por cerca de 20 dólares, dá-nos algum dinheiro mas também torna o meu trabalho portátil e acessível para todo o tipo de pessoas. Sou um milionário? Não! Mas, estou feliz? Sim! Gostava de ser milionário e feliz mas ainda não estou lá.
O Flash veio mudar as regras do jogo?Certamente. O Flash veio mudar a forma como pensámos que a Internet seria. Há dez anos era o faroeste: as pessoas andavam aos tiros e tudo era possível, muito energético. A questão é que o Flash tem um problema com meios sociais como o Twitter e o Flickr. A maior coisa no Flash neste momento, creio, é o Wordpress. Em onze minutos tenho o meu próprio site, a Web que pode fazer tudo o que quisermos que ela faça. Todas estas questões são de programação complexa e acredito que estamos numa fase de transição porque muitos de nós apercebemo-nos que todas as coisas que as pessoas querem agora no Flash tornam-no extremamente complicado. A linguagem ficou mais difícil... Estou curioso para ver o que é que vai acontecer daqui a uns anos, se a Adobe vai revitalizá-lo ou não.Veremos.
Qual é o teu projecto favorito?O meu projecto preferido é sempre o último, sempre foi assim! Consigo olhar para o meu trabalho anterior e ver as partes boas, mas o meu melhor trabalho é sempre o último que eu fiz. Neste momento estou a trabalhar numa aplicação para o iPhone, por isso neste momento isso é a coisa mais cool para mim. Uma citação interessante: o que te fez ter sucesso no passado torna-se o teu fracasso para o futuro.
Uma vez disseste que não te consideras um artistamas sim um designer...Sim, e a razão pelo qual disse isso é porque um artista acorda de manhã e tem noção que é artista e que o trabalho dele deveria estar numa galeria... eu não faço isso. Eu nunca penso o que é que vai acontecer ao meu trabalho daqui a dez anos. Eu considero-me um designer porque o meu trabalho tem um significado. Eu tenho um cliente que quer que eu execute algo e que isso irá ajudá-lo a vender mais do que é quer que seja que ele está a vender, e eu gosto disso. Eu gosto de participar em projectos para a Nike, Sony, Red Bull, Apple... e adoro ouvi-los dizer: Joshua, o que é que podemos fazer para tornar o nosso produto mais cool?, e eu acho que um artista nunca pensa desta forma. Tendem a viver dentro das suas próprias mentes.Como tem sido colaborar com a Miquel Rius?O projecto com a Miquel Rius é exactamente o que temos estado a falar. Eu comecei a fazer um notebook para eles, as pessoas aparentavam gostar do que se estava a fazer, deu-me algum dinheiro, por isso começamos a criar malas, e assim por adiante. O licenciamento correu lindamente. Primeiro trabalhamos com uma empresa de Toronto, produtos de armazém tais como almofadas e outras coisas mas o da Miquel Rius tinha entrado mesmo em força. Agora após um ano tem sido um processo de vai-e-vem muito interessante e estou extremamente contente com a forma como tem evoluído. E finalmente vamos ter um saco para skates a sair!
Para terminar, na Internet dizem que és o únicodesigner estrela de rock…Meu Deus, é por causa das tatuagens porque sou um nerd enorme! Uma citação de Michelangelo sobre escultura: as pessoas já estavam presas dentro do mármore e eu apenas tive de escovar um pouco para as encontrar. Há 15 anos, quando comecei a tatuarme, pensei a mesma coisa; aqui estou eu a revelar-me e a desenhar o meu corpo. Há alturas agora em que olho para fotografias antigas e que me sinto estranho porque na altura não tinha uma. E depois já sabes, as pessoas pensam que as estrelas de rock se tatuam, por isso... mas, como eu costumo dizer, não estou numa banda!, sou apenas um enorme nerd, mas com muitas tatuagens.
Tags: Cartaz, Design+criativo
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