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por CARLOS RODRIGUES LIMA
Escutas a um dos arguidos levaram a uma rede de contactos entre um ex-publicitário com procuradores e inspectores da Judiciária
Escutas telefónicas realizadas no processo dos CTT - que investiga suspeitas de gestão danosa e tráfico de influências, entre outros crimes - revelaram aos investigadores contactos entre elementos da Maçonaria, procuradores do Ministério Público e inspectores da Polícia Judiciária. O pivô destas ligações é José Manuel Grácio, um antigo publicitário, que o DN procurou insistentemente localizar e contactar, mas não foi possível.
Os primeiros elementos das ligações foram obtidos através de escutas telefónicas a Júlio Macedo, antigo administrador da TCN Portugal, a empresa que comprou aos CTT um prédio em Coimbra. Segundo fonte ligada ao processo, foram interceptadas conversas entre aquele e José Manuel Grácio. Este terá feito referências expressas à sua condição de maçon e terá prometido recolher informações sobre a investigação em curso, na qual Júlio Macedo acabou por ser constituído arguido.
Certo é que, perante estas suspeitas, um juiz do Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa autorizou escutas telefónicas a Manuel Grácio. Durante 15 dias, o antigo dono da empresa Jotacê (que chegou a fazer uma campanha para a Prevenção Rodoviária) foi colocado sob escuta. Nesta operação foram interceptadas dezenas de conversas com inspectores da PJ e procuradores do Ministério Público.
As escutas, segundo o DN apurou, não foram transcritas. No processo, como o actual Código do Processo Penal obriga, constam apenas resumos das conversações. Só se o Ministério Público acusar e o processo seguir para a fase de instrução é que os arguidos, a acusação ou o juiz podem transcrever as conversas, se estas forem consideradas importantes para a descoberta da verdade.
O caso tem sido comentado em surdina no interior da Judiciária e no Ministério Público, estando a causar polémica no interior de ambas as estruturas. "Quando tomámos conhecimento do que estava em causa, ficámos sem saber em quem confiar", adiantou ao DN fonte ligada à investigação.
Esta investigação, concluída pela Unidade Nacional Contra a Corrupção da PJ, tem como focos principais a venda, em 2003, de dois prédios dos CTT, um em Coimbra e outro em Lisboa. O edifício de Coimbra foi vendido pelos CTT, por 15 milhões de euros, à empresa Demagre, que o revendeu, no mesmo dia, à Espírito Santo Activos Financeiros (ESAF), por 20 milhões. No negócio, a Demagre acabou como inquilina da ESAF e tratou de subarrendar o edifício.
Ao que o DN apurou, a investigação conseguiu apanhar o rasto de 600 mil euros que foram levantados em numerário e que terão servido para o pagamento de comissões no negócio de Coimbra. Aliás, nas dezenas de buscas que fez, a Judiciária apreendeu notas pessoais a alguns dos intervenientes, que fazem referência a essas comissões, usando expressões como "Amigos dos CTT" e "mamões dos CTT".
Tal como o DN online avançou, há várias pessoas suspeitas de terem recebido comissões à volta dos 50 mil euros e, por isso, são suspeitas dos crimes de fraude fiscal e branqueamento de capitais.
O processo está agora nas mãos da 9.ª secção do Departamento de Investigação e Acção Penal de Lisboa.
Tags: Bolsa, CTT
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14 Comentários
09 Jul 2009, às 11:03 - Ireland
Isto e aquilo que as pessoas mais informadas sabem.
08 Jul 2009, às 22:28 - Portugal - Porto
Nuno Vaz, a Maçonaria é um caso de polícia.
08 Jul 2009, às 21:33 - Portugal - Lisboa
A maçonaria pretende dominar o mundo com a sua influencia, mas o que eles querem mesmo é dinheiro. Já estão infiltrados nas nações unidas e quando tentam "ajudar" paises pobres e combater doenças como a sida, acabam por vir de lá com essas mesmas doenças que supostamente iriam combater. Sabiam que eles têm o segredo de comunicar por telepatia? Quando fui apanhado na rede é que descobri.
08 Jul 2009, às 17:38 - Brazil
Na historia portuguesa houveram muitas caças às bruchas. Moiros e judeus o sabem. A maneira como esta sendo tratado o assunto precisa ser mais profissional. Não é a Maçonaria. Trata-se de alguns maçons. Quando um padre pedófilo é pego, da mesma maneira, a instituição Igreja deveria ser preservada.
08 Jul 2009, às 17:31 - Brazil
combatereresistir
08 Jul 2009, às 15:22 - Portugal - Viseu
Portugal é um País de ladrões e corruptos. A cereja em cima do bolo é que além de criminosos são incompetentes. Nem roubar sabem sem dar nas vistas.
08 Jul 2009, às 15:21 - Portugal - Viseu
Precisamos de juizes como Rui Teixeira.
vguerra
08 Jul 2009, às 11:45 - Portugal - Lisboa
Maçonaria,o "partido" que manda sem se sujeitar a sufrágio..
Odegaard
08 Jul 2009, às 10:50 - Portugal - Lisboa
Apenas a Maçoaria e apenas na Justiça? E na Sociedade-Estado Corporativa? A Justiça não está de olhos vendados. Está de olhos tapadinhos...e dorme...C. Odegaard, Sintra
zeluzia
08 Jul 2009, às 10:28 - Mozambique
Para que vai servir tudo isto? Para gastarmos ainda mais dinheiro com a (in)justiça que nunca chega a condenar ninguém? Uma vantagem: dá emprego a bastante gente que não sabe fazer outra coisa e da sua profissão paraece que também não pode ou não quer saber. Todos esperamos pelos frutos de tanta investigação!
Grandapar
08 Jul 2009, às 10:11 - Portugal - Lisboa
Que diz a isto o Presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Publico. Então Sr. Palma não tem nada a esclarecer? Não terá esse publicitário ligado também para o Juiz Lopes da Mota?
EUZINHO
08 Jul 2009, às 10:08 - Portugal - Lisboa
O esplendor da corrupção em Portugal.
amaro
08 Jul 2009, às 09:52 - Portugal - Lisboa
Ligação? Toda a gente sabe, pelo menos quem não anda a dormir, sabe que, neste momento, é a Maçonaria que manda em Portugal. Eu fui vítima em 1996, há 13 anos, quando eles começaram a montar a REDE, após a tomada de posse do Governo Guterres... É preciso fazer um desenho?
Nuno Vaz
08 Jul 2009, às 08:13 - Portugal - Lisboa
Deixem lá a MAÇONARIA em paz... Isto é um "CASO de POLÍCIA", com burlões a fingir de "gente Honesta" ... Infelizmente, o Governo Sócrates deu sempre cobertura a todas estas trapalhadas : BPN, BPP, Milenium, FREEPORT e etc. etc. etc.
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