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Crise

Destruição de 92 mil empregos atinge jovens em cheio

por CATARINA ALMEIDA PEREIRA  

Taxa de desemprego sobe para 8,9%, o valor mais alto dos últimos 23 anos. Jovens, precários  e pouco qualificados são os mais afectados.

A economia destruiu 91,9 mil empregos no espaço de um ano, a quebra mais acentuada desde a crise de 2003. Os efeitos conjugados da recessão e da precariedade estão reflectidos nos dados ontem revelados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), relativos ao primeiro trimestre deste ano: perderam-se 83 mil empregos correspondentes a jovens com idades entre os 15 e os 34 anos.

E nem todos desistiram de trabalhar: foi também nas franjas mais jovens que o número de desempregados mais cresceu. A taxa de desemprego jovem (entre os 15 e os 24 anos) subiu para o máximo de 20,1%.

Com o número de desempregados no valor mais alto de que há registo - oficialmente são 495,8 mil -, a taxa de desemprego ontem divulgada superou as piores expectativas, ao saltar 1,3 pontos para 8,9%, o valor mais alto dos últimos 23 anos (ver gráfico). "Preocupante", referiu o ministro do Trabalho, Vieira da Silva, admitindo "intensificar" as medidas contra a crise.

Quem está a ser mais afectado pelo desemprego? Homens, com contrato a termo, empregados na indústria e na construção com idade entre os 15 e os 34 anos e um nível de escolaridade básico foram os que mais contribuíram para a queda da população empregada e, simultaneamente, para o aumento do número de pessoas à procura de trabalho.

Os valores oficiais subestimam o verdadeiro impacto social, apontam vários observadores. O número de desempregados é de 650 mil e a taxa de 11,6%, se se considerarem como desempregados indivíduos em categorias que o INE exclui. É o caso dos inactivos disponíveis ou desencorajados (93,2 mil), e do subemprego visível (61,3 mil).

Por outro lado, acentua-se a tendência de redução da população activa (menos 23 mil indivíduos do que há um ano), o que pode indiciar a fuga para situações de reforma, de estudo, ou de desistência da procura de emprego.

Os novos dados obrigaram o Governo a actualizar a previsão para a taxa de desemprego, para 8,8%, um valor que fica mais uma vez abaixo das previsões das principais instituições. Para que se concretizasse, o desemprego teria que descer. Se é certo que o Verão é um período mais favorável e que as medidas desenhadas pelo Governo ainda não produziram plenos efeitos, é também consensual que o impacto de uma crise tão forte se fará sentir de forma crescente até, pelo menos, 2010.

O Executivo prevê, por outro lado, que destruição de emprego se situe, este ano, nos 62 mil postos de trabalho (-1,2%). A OCDE aponta para 94 mil.

Tags: Bolsa


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