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por CATARINA ALMEIDA PEREIRA
Desde Janeiro, inscreveram-se nos centros de emprego 58 477 pessoas na sequência de um despedimento. Precários são os mais vulneráveis, mas os trabalhadores do quadro também têm cada vez menos garantias
A precariedade é o principal factor de exposição ao desemprego, mas os trabalhadores que estão no quadro - e que terão maiores expectativas de estabilidade - também não escapam às consequências da recessão. Desde o início do ano, inscreveram-se nos centros de emprego 58477 pessoas na sequência de um despedimento - ou 704 por cada dia útil - o que representa um aumento de 65% face ao mesmo período do ano passado.
Estes dados, que comparam com um aumento de 35% no conjunto de novas inscrições, incluem os despedimentos individuais e as rescisões amigáveis - classificadas pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) como "despedimentos por mútuo acordo" - mas excluem a não renovação de contratos a prazo. O "fim de trabalho não permanente" é ainda o principal motivo de desemprego, mas os despedimentos unilaterais ou por mútuo acordo têm estado a ganhar peso, justificando mais de um quinto das novas inscrições divulgadas pelo IEFP (ver gráfico).
Janeiro foi o pior mês desde o início da série, que começa em 2003, mas em Abril estas situações ainda abrangeram 13 494 pessoas, valor que nunca tinha sido registado antes do início de 2009.
A região Norte do País assistiu a quase metade dos mais de 11,5 mil despedimentos unilaterais que aconteceram no mês passado, mas foi em Lisboa e Vale do Tejo que se concentrou o maior número de despedimentos por mútuo acordo.
A informação compilada desde o início do ano também deverá reflectir os processos colectivos, motivados por reestruturações ou encerramento de empresas. Dados já divulgados pela Direcção-Geral do Trabalho e do Emprego mostram que no trimestre em que a taxa de desemprego chegou aos 8,9%, o número de trabalhadores abrangidos por processos de despedimentos colectivos quadruplicou, em termos homólogos, para 3481 pessoas.
O que acontece a quem perde o trabalho e se dirige ao IEFP? A informação que todos os meses é divulgada permite apenas avaliar quantas pessoas foram colocadas através dos centros de emprego. Desde o início do ano, o IEFP conseguiu arranjar trabalho a 7% dos mais de 250 mil novos inscritos. É que numa altura em que o novo desemprego dispara, as colocações caíram 11%.
O decréscimo foi menos acentuado em Abril (-3%), mês em que se registaram mais de 5 mil colocações. Pessoal dos serviços de segurança, vendedores ou trabalhadores não qualificados dos serviços, comércio, minas ou construção civil tem maior probabilidade de encontrar um trabalho através do IEFP. Os salários rondam, em média, os 550 euros por mês, revelou recentemente ao DN o presidente do IEFP, Francisco Madelino.
Os responsáveis do Ministério do Trabalho dizem que é frequente e desejável que os centros de emprego não sejam a principal via de empregabilidade. Apesar disso, no início do ano, a fasquia estava mais elevada: no último relatório de actividades, o IEFP comprometeu-se a conseguir 74 mil colocações este ano, mais 15% do que no ano passado.
Também os desempregados têm maiores expectativas, a avaliar pelos resultados do inquérito do Instituto Nacional de Estatística, que pergunta às pessoas que iniciativa tomaram para encontrar trabalho.
No primeiro trimestre do ano, 62% dos desempregados declararam ter contactado um centro de emprego; 55% uma agência privada ou o empregador e 39% afirmaram ter recorrido à rede pessoal de contactos ou aos sindicatos.
Tags: Despedimentos, Bolsa, Emprego
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