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por Lusa
A fábrica de calçado Rohde comunicou hoje aos seus 984 operários que a suspensão temporária de trabalho (lay-off), que deveria ter terminado sexta-feira, vai prolongar-se até ao próximo dia 20, estando em risco os salários de Novembro.
Todos os operários daquela que é considerada a maior empregadora nacional da indústria do calçado compareceram hoje na fábrica, mas, após uma reunião com a direcção da empresa e o sindicato do sector, apenas 80 permaneceram no local para cumprir as suas funções laborais.
Fernanda Moreira, dirigente do Sindicato dos Operários da Indústria do Calçado, Malas e Afins dos Distritos de Aveiro e Coimbra, afirma: "Disseram-nos que até dia 20, pelo menos, o lay-off vai continuar. A partir daí, o que se vier a passar depende da assembleia de credores que está marcada para esse dia e do que eles decidirem quanto ao plano de viabilização da empresa".
Para Fernanda Moreira, "a outra má notícia do dia é que os salários de Novembro não estão garantidos". A dirigente sindical diz que a Rohde não tem salários em atraso, mas adianta que, "pela primeira vez", a direcção da empresa admitiu que "pode não conseguir arranjar os 30 por cento necessários para pagar os salários deste mês" (sendo que os restantes 70 por cento são pagos, no contexto do lay-off, pela Segurança Social).
"Eles dizem que estão a fazer todos os esforços para assegurar os salários", afirma a dirigente sindical, "mas não há garantias de que o consigam".
Os 984 trabalhadores da Rohde mantiveram horários de trabalho completos até ao dia 14 de Agosto. Após um período de férias comum a todos os funcionários, a fábrica reiniciou a sua actividade a 7 de Setembro e quatro dias depois dava início a um lay-off envolvendo 685 funcionários.
A 17 de Setembro, a Rohde apresentava em tribunal um pedido de insolvência, alegando dificuldades financeiras motivadas pela quebra de encomendas, mas em meados de Outubro novos pedidos chegavam à fábrica, por parte de empresas alemãs.
Essa alteração motivou que o final do lay-off, inicialmente previsto para 11 de Novembro, fosse, afinal, antecipado para o dia 30 de Outubro.
A gestora judicial que acompanha o processo de insolvência está, entretanto, a ultimar um plano de viabilização que, segundo Fernanda Moreira, "prevê a redução do número de postos de trabalho" da empresa.
"Ainda não sabemos quantas pessoas serão afectadas", esclarece a dirigente sindical, "mas é certo que o plano não está a ser feito de forma a assegurar os 984 postos de trabalho da Rohde".
AYC
Tags: Bolsa
Fotografia © Amin Chaar-DN
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